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Jon Stewart pode regressar à televisão antes das eleições presidenciais

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Amy Schumer, Denis Leary e Louis C.K foram os escolhidos para o último “Daily Show”

ERIC THAYER / REUTERS

Em entrevista à CNN, o diretor-geral da HBO disse que tem esperanças que o popular apresentador e comediante volte ao pequeno ecrã antes de novembro, agora que Trump já tem a nomeação republicana praticamente garantida

Não é só o Partido Republicano que está a atravessar uma crise existencial, embora as cisões entre os conservadores sejam mais impactantes do que o pequeno tumulto que se atravessa dentro do Partido Democrata.

Numa altura em que Donald Trump tem a nomeação republicana praticamente garantida, depois de ter vencido as primárias do Indiana na terça-feira e de ter ficado sozinho na corrida após Ted Cruz e John Kasich terem suspendido as suas campanhas, uma nova hashtag começou a ganhar tração nas redes sociais.

A campanha #dropoutHillary, uma versão democrata do movimento #nevertrump, foi lançada pelos apoiantes de Bernie Sanders na terça-feira, depois de o senador voltar a surpreender muitos com uma vitória inesperada nas primárias do Indiana. É uma derradeira tentativa dos apoiantes do autodeclarado socialista em atrair mais eleitores para o campo de Bernie, para que seja ele e não Clinton a disputar as presidencias com Trump.

É improvável que Sanders consiga ultrapassar a presumível candidata democrata em superdelegados, um aspeto essencial para garantir a nomeação do partido. Mas ainda assim, o movimento anti-Hillary só vem tornar as eleições mais disputadas em décadas nas mais interessantes.

Entra aqui Jon Stewart, ou entraria, não tivesse o popular comediante e apresentador de televisão abandonado o seu programa de 19 anos, o Daily Show, em fevereiro de 2015, passando o testemunho ao comediante Trevor Noah. A preparação da sua despedida do pequeno ecrã coincidiu com a altura em que Trump estava prestes a anunciar se ia ou não candidatar-se à presidência dos Estados Unidos. "Se Trump não se candidatar", disse Stewart a poucas semanas de abandonar o Daily Show, "então estes últimos episódios não serão nada mais que um copo de tristeza quente".

Desde que Trump entrou de rompante na pré-campanha presidencial, contrariando os críticos e conquistando mais e mais eleitores a cada votação estatal desde o início do processo de primárias em fevereiro, muitos têm manifestado a falta que Jon Stewart tem feito para pôr os norte-americanos — e todos nós — a rir da tristeza de ter uma celebridade de televisão xenófoba, populista e demagoga a aproximar-se perigosamente da Casa Branca. Mas esse período de seca extrema pode estar perto do fim.

Numa entrevista à CNN transmitida na quinta-feira à noite, madrugada desta sexta em Portugal, Richard Plepler, o CEO do canal HBO com o qual Stewart assinou um contrato de quatro anos em novembro passado, disse que "tem esperanças" de que o comediante possa regressar às televisões antes das presidenciais de novembro. Foi mesmo essa a expressão que usou, "tenho esperança nisso", acompanhada de um sorriso de esguelha, ecoando os sentimentos de muitos dentro e fora dos EUA.

"Penso que ele está ansioso por fazer algo que sabe que irá destacar-se e ser uma nova parte da sua expressão artística", declarou Plepler, deixando nas entrelinhas a hipótese de termos Jon de volta mas não no formato do Daily Show. "Ele tem de reinar para fazer aquilo que quer."

O rei está morto, longa vida ao rei! E que ressuscite rapidamente.