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Independentistas reclamam vitória histórica na Escócia

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Nicola Sturgeon, líder do Partido Nacional Escocês (SNP)

Jeff J Mitchell

SNP terá garantido terceira vitória consecutiva nas eleições para o parlamento de Holyrood, com líder do partido a elevar a possibilidade de voltar a referendar independência. Trabalhistas ao leme de Jeremy Corbyn ter-se-ão saído melhor do que o antecipado nas eleições locais em Inglaterra

A secretária-geral do Partido Nacional Escocês (SNP, independentistas) reclamou hoje uma "vitória histórica" nas eleições para o Parlamento nacional, embora o partido deva falhar em alcançar uma maioria de assentos que lhe permita formar governo.

Com parte dos votos ainda a ser contabilizada depois da chamada superquinta-feira, em que houve eleições autárquicas e locais na Escócia, País de Gales, Inglaterra e Irlanda do Norte, Nicola Sturgeon declarou esta sexta-feira de manhã que "o que já é claro é que o SNP ganhou uma terceira eleição consecutiva no parlamento [de Holyrood]".

No poder na Escócia desde 2007, o SNP foi o grande defensor do referendo à independência do país em setembro de 2014, em que 55,3% dos eleitores votaram contra o fim do casamento com o Reino Unido, contra 44,7% que votaram a favor.

Pelas 7h20 locais desta sexta, e já com 92 dos 129 assentos parlamentares atribuídos, o SNP tinha já garantidos 58, menos sete do que o mínimo necessário para garantir uma maioria absoluta. Se não conseguir alcançar 65 ou mais assentos, deverá coligar-se com Os Verdes para governar.

No discurso da vitória, Sturgeon fez questão de referir o referendo, elevando a possibilidade de ressuscitar a causa independentista, a menos de dois meses de toda a população do Reino Unido ser chamada a pronunciar-se em referendo sobre o seu futuro na União Europeia. "Isso é mais provável do que não o fazer" (levar a cabo o referendo, declarou a líder do SNP citada pelo "The Independent".

Corbyn passa primeiro teste político?

Apesar de muitos votos ainda estarem por contabilizar em todo o país, com os resultados a serem atualizados ao longo desta sexta-feira, prevê-se também que o Partido Trabalhista (Labour) se tenha saído melhor do que o esperado ao leme do seu novo líder, Jeremy Corbyn.

"Corbyn evitou a surra que alguns previam" nas eleições locais em Inglaterra, mantendo várias assembleias municipais estratégicas de Inglaterra sob domínio do Labour, aponta a BBC esta manhã, numa importante vitória para o novo secretário-geral do principal partido da oposição, que assumiu o cargo em setembro de 2015 e que teve nestas eleições o seu primeiro verdadeiro teste. O mesmo não aconteceu na Escócia, onde os trabalhistas foram castigados em prol dos Liberais Democatas e dos conservadores.

Criticado por muitos fora e inclusivamente dentro do próprio partido, Corbyn poderá ter motivos para sorrir quando a contagem de votos terminar. De acordo com a BBC, o deputado trabalhista John Mann, um dos princpiais críticos do líder pelo seu alegado radicalismo de esquerda, admitiu esta sexta de manhã que o partido "saiu-se bem" em Inglaterra — embora tenha sublinhado que deviam ter ganhado com maioria absoluta contra um Partido Conservador enfraquecido.

A superquinta-feira também foi um bom dia para o nacionalista e antieuropeísta UKIP, de Nigel Farage, que terá garantido os primeiros assentos da sua história na Assembleia do País de Gales.

Os resultados das eleições autárquicas em Londres, provavelmente os mais antecipados por serem vistos como um pré-referendo à Brexit, só serão conhecidos durante esta tarde. O lugar que Boris Johnson deixou vago na câmara londrina está a ser disputado entre Sadiq Khan, um muçulmano do Partido Trabalhista que defende a permanência no bloco europeu, e Zac Goldsmith, um judeu do conservador (Tories) que, como Johnson, é a favor da saída da UE. O referendo sobre esta questão está marcado para 23 de junho. As sondagens antecipavam a vitória de Khan na capital britânica.