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Eleições locais amargas para os trabalhistas britânicos

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Embora deva conquistar a Câmara Municipal de Londres, o partido de Jeremy Corbyn perdeu vereadores a nível nacional e caiu para terceiro lugar no Parlamento escocês. Contestação interna ao líder vai crescer

As eleições locais e regionais de ontem no Reino Unido, cujos resultados estão a ser anunciados ao longo do dia e continuarão a surgir durante o fim-de-semana, foram amargas para o Partido Trabalhista. Embora as perdas a nível municipal tenham sido menores do que as sondagens anteviam, a formação liderada por Jeremy Corbyn perdeu lugares de vereador (coisa que não acontecia ao maior partido da oposição em eleições locais desde 1985). Na Escócia, viu-se ultrapassado pelos conservadores e relegado para terceiro lugar, não tendo aproveitado a quebra dos nacionalistas.
Embora Corbyn, que já antes do escrutínio era contestado internamente, tenha afirmado que não pensa demitir-se, houve críticas fortes de vários deputados e até por um membro do seu Governo-sombra. Ian Murray, ministro-sombra para a Escócia e único deputado trabalhista eleito por aquele território, afirmou: “Não creio que, de momento, a opinião pública considere o Partido Trabalhista Britânico, liderado por Jeremy Corbyn, um partido credível para governar no futuro, em 2020”. Muitos trabalhistas querem substituir Corbyn antes desse ano, o das próximas legislativas. O líder foi lacónico, dizendo: “Aguentámo-nos”.
Em termos de votação total, os trabalhistas deverão ficar com mais 1% do que os conservadores, prediz o diário “The Guardian”. É pouco, face a um Governo impopular, e quando as municipais servem, não raro, para o eleitorado castigar o Executivo. Servem de consolo aos trabalhistas as vitórias de Joe Anderson e Paul Dennett, respetivamente, para mayors de Liverpool e Salford (das poucas são que elegem diretamente o autarca) e a perspetiva de Sadiq Khan vir a vencer em Londres, também num sufrágio universal. A dar-se o caso, será o primeiro autarca muçulmano da capital britânica.

Nacionalistas escoceses perdem maioria

A Norte, a notícia mais importante das eleições para o parlamento regional é que o Partido Nacional Escocês (SNP) perdeu a maioria absoluta. Ao cair de 69 para 63 deputados, num hemiciclo com 129 lugares, a primeira-ministra Nicola Sturgeon deverá permanecer no cargo, mas obrigada a negociar com outras forças. Em reação aos resultados, anunciou que não iria fazer qualquer coligação. Deverá, pois, governar em minoria e discutir medida a medida. Um aliado preferencial deverá ser o Partido Verde, que ficou em quarto lugar nas eleições, com seis assentos (tinham dois).
Mostrando-se pouco preocupada com a perda da maioria, Sturgeon disse que a noite era “histórica”, já que esta é a terceira vitória consecutiva do SNP nas regionais. É a primeira vez que lidera o partido, outrora encabeçado por Alex Salmond. A perda da maioria deixa no limbo a intenção, assumida pela primeira-ministra, de criar condições para um segundo referendo à independência escocesa. Em 2014, o “não” venceu por 55%-45%, mas os separatistas não desarmam. Note-se que os Verdes também são favoráveis à secessão.
A liderar a oposição escocesa ficará Ruth Davidson, do Partido Conservador. Mais do que duplicou o seu grupo parlamentar (de 15 para 31) e viu cair os trabalhistas de 37 para 24. O primeiro-ministro britânico, David Cameron já felicitou a sua correligionária, dizendo que houve um “realinhamento” na política escocesa.
O Partido Trabalhista, que já foi o maior da Escócia e o maior da esquerda escocesa, perdem ambos os títulos e já não é, sequer, o maior da oposição escocesa. Corbyn já assumiu que “há muito a construir” na Escócia. Será mais reconstruir.

Avanço eurocético no País de Gales

Menos más para os trabalhistas foram as eleições para o Parlamento galês. O primeiro-ministro Carwyn Jones voltou a vencer sem maioria, como há quatro anos. Declarou-se disposto a trabalhar com os liberais e com os nacionalistas galeses do partido Plaid Cymru na próxima legislatura. Excluiu, contudo, acordos com os conservadores e o eurocético Partido pela Independência do Reino Unido (UKIP).
Este último estreia-se no hemiciclo galês com sete deputados. O Plaid Cymru elegeu 12, mais um do que há cinco anos, e tornou-se o segundo maior partido, ultrapassando os conservadores.
Ao longo da tarde serão anunciados os resultados das eleições para a Assembleia de Londres e para mayor, devendo confirmar-se a vitória de Khan, que com 80% dos votos contados somava 44%, contra 35% do conservador Zac Goldsmith. Entre a noite de hoje e o fim-de-semana saber-se-á também a composição do Parlamento da Irlanda do Norte e quem é o mayor de Bristol.