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Começa congresso do partido único da Coreia do Norte, o primeiro de uma geração

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ED JONES/AFP/Getty

Há quase 40 anos que os comunistas que dominam Pyongyang não tinham uma convenção partidária. Começou esta sexta-feira envolta em secretismo, no que é visto por analistas como uma tentativa de Kim Jong-un cimentar a sua liderança e estatuto

O VII Congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte começou esta sexta-feira em Pyongyang, depois de um interregno de 36 anos nos encontros nacionais do partido. Envolto no habitual secretismo, nem o discurso de abertura de Kim Jong-un foi divulgado pelos media estatais à partida.

Delegados de todo o país rumaram à capital norte-coreana para o importante congresso do partido único, que começou pela manhã na Casa da Cultura 25 de abril, como avançou à agência Efe uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Tido como uma coroação não-oficial do jovem líder, que deverá cimentar a sua liderança e estatuto como sucessor do pai, o congresso deverá ficar marcado pela reafirmação das aspirações nucleares do regime, sob especulação de que Kim se prepara para ordenar um quinto teste nuclear.

Em comunicado emitido pelo Comité para a Reunificação Pacífica da Coreia, o ministério encarregado pelas relações com a Coreia do Sul, logo após o início do congresso, o regime acusou o Governo de Barack Obama de ter criado motivos artificiais para desencadear uma crise nuclear na península coreana. O mesmo organismo reivindicou nesse documento o estatuto de Pyongyang como potência atómica, após o país ter alegadamente desenvolvido uma bomba de hidrogénio com êxito (especialistas internacionais duvidam da veracidade desse anúncio).

Este é o primeiro encontro nacional a ter lugar desde 1980 e o sétimo da história do partido, fundado em 1949. De acordo com fontes no terreno, a capital está coberta de imagens massivas do pai, Kim Jong-il, e do avô do atual líder, Kim Il-sung, o fundador da Coreia do Norte como a conhecemos. Kim Jong-un sucedeu ao pai no poder desde dezembro de 2011, após a sua morte súbita.

Cerca de 100 jornalistas estrangeiros foram convidados a cobrir o evento político raro, mas segundo o correspondente da BBC não foram autorizados a entrar na Casa da Cultura 25 de abril e estão a ser vigiados de perto a todo o momento.