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Luaty Beirão inicia nova greve de fome

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Luaty Beirão é um dos 17 ativistas angolanos que foram condenados a pena de prisão efetiva

SÉRGIO AFONSO

Ativista angolano está em greve de fome e não aceita vestir roupas. Além disso, não aceita receber visitas, uma ação em solidariedade com os restantes presos da cadeia de Viana, após ter sido transferido “à força” para o Hospital-Prisão de São Paulo

Sem comida, roupa ou visitas. Luaty Beirão está novamente em greve, avança a “Rede Angola”. O ativista e músico angolano foi na quarta-feira à tarde transferido da cadeia de Viana para o Hospital-Prisão de São Paulo.

“Ainda não falei com ele. Ele recusa-se. Não quer falar com ninguém. Ele foi levado ao Hospital-Prisão de São Paulo à força. Não sei que força é que eles usaram. Mas ele já tinha dito que não queria ir para a prisão de São Paulo”, explicou Mónica Beirão, citada pela “Rede Angola”.

Com a transferência para o hospital, as condições de Luaty melhorar bastante, mas o ativista exige ficar nas mesmas condições que os restantes detidos. E por isso iniciou o novo protesto.

“Em Viana, o Luaty já denunciava algumas anomalias, como excessos de prisão preventiva e outras situações menos boas a que os presos eram submetidos. Ele não concordava que tinha que ser levado para um sítio diferente dos outros, talvez com melhores condições, quando a maioria dos presos ainda vive em condições precárias”, disse ainda a mulher do ativista à mesma publicação.

Os serviços prisionais, contactados pela “Rede Angola”, confirmam a transferência de 12 ativistas angolanos, no entanto não referem se Luaty Beirão iniciou novo protesto. Também na tarde de quarta-feira Nelson Dibango e Bingo Bingo foram transferidos da Cadeia de Viana para o Hospital-Prisão.

Os ativistas foram julgados por coautoria de atos preparatórios para uma rebelião. Foram igualmente condenados por associação criminosa pelo tribunal. No caso do rapper luso-angolano Luaty Beirão, a pena, em cúmulo jurídico também por falsificação de documentos, foi de cinco anos e seis meses de cadeia.

O professor universitário Domigos da Cruz, autor do manual "Ferramentas para Destruir o Ditador e Evitar Nova Ditadura" - que nunca chegou a ser publicado em livro - , foi quem apanhou a pena mais pesada, superior a oito anos. Recorde-se que segundo o despacho de pronúncia do Tribunal Provincial de Luanda, de 15 de outubro, os seminários sobre o manuscrito de Domingos da Cruz puseram em causa a segurança do Estado.

A maioria dos restantes ativistas foi condenada a quatro anos e seis meses: Nuno Alvaro Dala, Sedrick de Carvalho, Manuel Chivonde NitoAlves, Inocêncio de Brito, Laurinda Manuel Gouveia, Fernando António Tomás "Nicola", M'banza Hamza, Osvaldo Sérgio Correia Caholo, Arante Kivuvu, Albano Evaristo Bingo, Nelson Dibango Santos, Itler Samassuku e José Gomes Hata. A pena mais pequena, de dois anos e três meses, foi atribuída a Rosa Conde e Dito Dalí (Benedito Jeremias).