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Eleições no Reino Unido: o termómetro do Brexit e de Corbyn e o adeus a Boris Johnson

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Peter Macdiarmid

Ao longo desta “Superquinta-feira”, os britânicos vão estar a eleger a composição dos parlamentos da Escócia, do País de Gales e da Irlanda do Norte e de 124 assembleias municipais em Inglaterra. Em Londres, um muçulmano pró-UE e um judeu pró-Brexit batem-se pelo lugar de Boris Johnson, autarca da capital desde 2008

Hoje não é uma quinta-feira qualquer, pelo menos no Reino Unido. Desde as 7h da manhã, milhões de britânicos são chamados às urnas para elegerem uma série de novos representantes, desde a composição dos próximos Parlamentos da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, até aos 2474 cargos em disputa em 124 assembleias municipais de Inglaterra, passando pela eleição dos comissários da polícia em Inglaterra e em Gales e dos novos presidentes das câmaras de Londres, Bristol, Liverpool e Salford.

A chamada "Superquinta-feira" acontece a menos de dois meses de toda a população do Reino Unido ser chamada a decidir o seu futuro dentro ou fora da União Europeia, num referendo marcado para 23 de junho e que, em Londres, é tão protagonista destas eleições como os principais candidatos à liderança da autarquia.

A lutar pelo lugar que Boris Jonhson ocupa desde 2008 estão Sadiq Khan, um muçulmano do Partido Trabalhista (Labour) que defende a permanência no bloco europeu, e Zac Goldsmith, um judeu do Partido Conservador (Tories) que, como Johnson, é a favor do Brexit (saída da UE). As mais recentes sondagens de intenção de voto para as autárquicas londrinas — classificadas por alguns como um pré-referendo ao Brexit — antevêem a vitória de Khan, ex-ministro do governo de Gordon Brown (2007-2010).

O adeus a Johnson deverá ser um mero até já: assumido líder da barricada anti-UE para o referendo de junho, o conservador abriu uma espécie de guerra dentro do partido por causa do referendo de junho e é tido por muitos como o provável sucessor de David Cameron, o primeiro-ministro britânico, do mesmo partido, que lidera os defensores da permanência do Reino Unido no bloco dos 28.

No mais importante dia eleitoral antes das próximas eleições gerais do Reino Unido, marcadas para 7 de maio de 2020, o foco está igualmente em Jeremy Corbyn, o novo líder dos trabalhistas que enfrenta esta quinta-feira o seu primeiro verdadeiro teste político desde que assumiu a liderança da oposição em setembro de 2015.

Será um bom sinal para Corbyn se o Labour conseguir manter os 1337 lugares em disputa ou até melhorar esse número nas várias assembleias municipais que vão a votos esta quinta-feira. Contudo, algumas sondangens anteveem que o Labour vá perder entre 150 e 200 assentos em todo o país, o que a confirmar-se servirá de munição aos opositores de Corbyn, incluindo trabalhistas mais moderados que o consideram de extrema-esquerda. Para Glen O'Hara, da Universidade de Oxford, um resultado do Labour que não esteja minimamente próximo dos 40% de votos em Inglaterra será "um claro, claro indicador de que [o partido] irá perder as próximas eleições gerais".

O Partido Nacional Escocês (SNP), que domina o Parlamento de Holyrood desde 2007, deverá garantir a manutenção dessa maioria, de acordo com as sondagens mais recentes.

No País de Gales, onde o Labour está no poder desde 1999, as duas únicas sondagens de intenção de voto levadas a cabo desde que Corbyn assumiu a liderança do partido a nível nacional anteveem 37% para os trabalhistas contra 23% para os tories, o que poderá voltar a forçar o Labour a coligar-se com outro partido de esquerda ou centro-esquerda como os Liberais Democratas para continuar a governar.

Na Irlanda do Norte, 276 candidatos disputam o total de 108 assentos da assembleia de deputados. O Parlamento local é atualmente dominado pelo Partido Unionista Democrático (DUP), uma maioria que o Sinn Féin pretende chamar a si nestas eleições.

As urnas fecham às 22h em todo o país, antecipando-se que os resultados parciais das votações comecem a ser anunciados na sexta-feira de manhã.