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Internacional

Dilma promete “continuar a lutar” contra destituição

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Spencer Platt

Em entrevista à BBC, a Presidente brasileira diz estar a ser “vítima inocente” de um processo “ilegítimo e ilegal” baseado em mentiras

A Presidente do Brasil deu uma entrevista à BBC na noite desta quarta-feira, a primeira desde que a câmara baixa do Congresso brasileiro deu início a um processo pela sua destituição sob acusações de ter manipulado os números do Orçamento, antes das eleições de 2014, para dar uma ideia mais positiva da performance económica do seu governo.

Citando um "processo ilegítimo e ilegal" e desmentindo novamente as acusações, Dilma Rousseff declara-se uma "vítima inocente" e promete "continuar a lutar para voltar ao governo se o pedido de destituição for aceite".

"Sim, eu acredito, de facto, que sou uma vítima. E claro que sim, sou inocente. Ao mesmo tempo, sou uma vítima inocente. Aquilo em que nós, no governo, acreditamos e em que os meus apoiantes acreditam é que o processo de destituição em curso é ilegítimo e ilegal, porque em última instância é baseado numa mentira, ou seja, são eleições indiretas mascaradas de processo de destituição."

Muitos, incluindo Dilma, acusam Michel Temer, o vice-presidente na coligação de governo, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), e Eduardo Cunha, o presidente da Câmara dos Deputados, do mesmo partido, de terem espalhado mentiras sobre o Orçamento manipulado para tirarem Dilma e o Partido dos Trabalhadores (PT) do poder. Tanto Temer como Cunha são suspeitos de crimes de corrupção no âmbito da megainvestigação de corrupção Lava Jato.

"Aquilo que vamos fazer é resistir, resistir e resistir", promete Dilma na entrevista de fundo. "E lutar mais para garantir que saímos disto vitoriosos com base no mérito e que retomamos o governo".

Neste momento, o Brasil está em suspenso à espera que o Senado decida se quer avançar com um julgamento à Presidente, depois de a Câmara dos Deputados ter votado a favor da sua destituição. Uma decisão é esperada na próxima semana: se uma maioria qualificada dos senadores escolher avançar com esse julgamento, Dilma será suspensa do cargo por 180 dias, até o processo estar concluído.

Sondagens recentes conduzidas pelos maiores jornais do Brasil, como a "Folha de São Paulo", sugerem que a maioria dos 81 senadores vão votar a favor do julgamento da Presidente, que enfureceu a oposição ao decidir nomear para o cargo de ministro-chefe da Casa Civil o seu antecessor Lula da Silva, para lhe garantir imunidade no processo Lava Jato.

Na mesma entrevista com a BBC, Rousseff fala sobre a ditadura militar dos anos 1970, cujo regresso é defendido por alguns deputados e por parte da população brasileira, revivendo a sua experiência de três anos na prisão e sublinhando que a tortura era "prática comum" nesses estabelecimentos.

A Presidente garante que, apesar de "ainda não ter havido esforços suficientes" para acabar com a corrupção endémica no país, "o nível de eficácia" aumentou durante a sua administração.

Sobre ter recebido a tocha olímpica na terça-feira em Brasília, Dilma citou um "momento agridoce" por não ter a certeza de que vá estar a representar o Brasil como sua Presidente durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que decorrem durante o mês de agosto.

Partes da entrevista podem ser vistas aqui.