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Toneladas de peixes mortos dão à costa no Chile

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CAMILO TAPIA/GETTY

Nas últimas quatro semanas, centenas de toneladas de sardinhas, salmões, pescadas e mexilhões mortos têm dado à costa nas praias chilenas. Pescadores protestam contra as escassas ajudas do Governo face à maré vermelha, provocada pelo fenómeno meteorológico El Niño. Há quem fale numa “catástrofe silenciosa”

Centenas de pescadores chilenos protestaram esta segunda e terça-feira contra a falta de respostas do Governo face à maré vermelha que atinge há um mês a região de Los Lagos. Várias toneladas de sardinhas, salmões, pescadas e mexilhões mortos têm dado à costa nas praias do sul do Chile contaminados por algas.

Os especialistas relacionam a maré vermelha com o fenómeno meteorológico El Niño, que tem causado cheias e ondas de calor na região, ainda que as associações de pescadores artesanais apontem também o dedo à indústria do salmão que tem um forte impacto em Los Lagos.

Por ordem do Executivo, os pescadores estão impossibilitados de pescarem nessa zona do Chile, recebendo apenas 100.000 pesos (130,70 euros) como subsídio do Estado. “O que o Governo anunciou não vai resultar. É impossível viver com este dinheiro”, afirmou à Reuters Doris Santana, um dos pescadores presentes no protesto.

O governador da região, Leonardo Sanhueza, fala por sua vez numa “catástrofe silenciosa” que está a afetar a economia local, apelando também a uma maior intervenção do governo.

Vários camiões têm recolhido nas últimas semanas toneladas de peixes mortos, numa ação levada a cabo pelo Serviço Nacional de Pesca e de Agricultura do Chile. As autoridades pedem também aos habitantes locais para não consumirem essas espécies.

No passado dia 21 de abril, as autoridades chilenas emitiram um alerta sanitário advertindo para a elevada presença de toxinas nocivas, nomeadamente no arquipélago de Chiloé. “Emitimos o alerta porque é preciso chamar a atenção da população para este problema e, por outro lado, ativar toda a ajuda que possa prestar o governo para mitigar as necessidades da população”, afirmou o subsecretário da Saúde, Jaime Burrows, citado pelo jornal “El Nacional”.

O alerta mantém-se até ao próximo dia 20 de julho, altura em que a autoridade sanitária chilena irá decidir se prolongará ou não as restrições.