Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Líder alemão de extrema-direita condenado a pagar €9600 por chamar “escumalha” a refugiados

  • 333

Matthias Rietschel

Procuradoria de Dresden e advogados de defesa do fundador do movimento anti-islâmico PEGIDA vão interpôr recursos à sentença judicial. Acusação quer que Lutz Bachmann cumpra sete meses de prisão por discurso de ódio

O fundador e líder do movimento alemão anti-islâmico PEGIDA foi condenado a pagar uma multa de 9600 euros após ter sido considerado culpado de discurso de ódio, por ter classificado os refugiados que a Alemanha tem acolhido – um milhão de pessoas só em 2015 – de "escumalha".

A equipa de defesa de Lutz Bachmann, que já prometeu intepor recurso à sentença, diz que o caso é politicamente motivado e, durante o julgamento, defendeu que o líder do movimento nacionalista não foi o autor das frases que foram publicadas na página de Facebook do PEGIDA – onde os refugiados eram ainda classificados de "gado" e "porcos".

Em tribunal, a acusação apresentou um vídeo onde Bachmann surge a defender a declaração de ódio, que se tornou a prova vital do julgamento. A procuradoria de Dresden, a cidade do leste alemão onde o PEGIDA nasceu há mais de um ano, também já prometeu recorrer da sentença, para tentar que o líder do movimento seja condenado a sete meses de prisão como a acusação tinha proposto.

No vídeo apresentado em tribunal, Bachmann, de 43 anos, é ouvido a defender que na publicação colocada no Facebook usou "palavras que qualquer um de nós usaria", num discurso perante centenas de apoiantes do PEGIDA em fevereiro de 2015. No mês anterior, o fundador do movimento de extrema-direita tinha pedido desculpas públicas por declarações xenófobas semelhantes, considerando-as "irrefletidas".

Durante o julgamento, a sua advogada Katja Reichel lembrou ao tribunal que a conta de Facebook do PEGIDA podia ter sido alvo de um ciberataque, uma alegação que de nada valeu quando o juiz foi confrontado com o vídeo em questão. Na leitura da sentença, o juiz Hans Hlavka sublinhou que "foi deixado claro" que Bachmann é o responsável pelos comentários racistas que, defendeu o juiz, não estão defendidos pela liberdade de expressão.

Bachmann já tinha estado envolvido num outro escândalo que o levou, por breves semanas, a abandonar a liderança do PEGIDA, após sites alemães publicarem uma foto em que aparecia mascarado de Adolf Hitler.

Fundado em outubro de 2014, com o objetivo inicial de organizar manifestações contra o acolhimento de refugiados vindos do Médio Oriente e África, o PEGIDA agrega uma série de grupos nacionalistas e de extrema-direita alemães, desde fações neonazis a hooligans. O nome é um acrónimo para Europeus Patriotas Contra a Islamização do Ocidente e os seus fundadores e líderes defendem que não são racistas nem xenófobos, defendendo no seu manifesto que são contra o extremismo e que querem apenas "proteger a cultura judaico-cristã da Alemanha".