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Internacional

Há 75 milhões de crianças no mundo impossibilitadas de ir à escola

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JUSTIN TALLIS

Cinco anos de guerra civil na Síria ditaram encerramento de pelo menos seis mil escolas do país. No leste da Ucrânia, onde as forças de Kiev continuam a lutar contra separatistas pró-Rússia, uma em cada cinco escolas encerrou desde o início do conflito em 2014

Cerca de 75 milhões de crianças em idade escolar e a viver em áreas instáveis e em países em guerra em todo o mundo precisam urgentemente de assistência pedagógica, aponta um novo relatório da Unicef publicado esta quarta-feira em antevisão da Cimeira Mundual Humanitária que decorre em Istanbul entre 23 e 24 de maio.

De acordo com cálculos da agência da ONU, uma em cada quatro crianças com entre 3 e 18 anos de idade, o correspondente a um total de 462 milhões de pessoas, estão neste momento a viver em países afetados por crises humanitárias.

Na Síria, os mais de cinco anos de guerra civil já destruíram pelo menos seis mil escolas, enquanto que no leste da Ucrânia uma em cada cinco escolas foi forçada a encerrar por causa do conflito em curso desde 2014 que opõe as forças de segurança do país e os rebeldes separatistas que querem uma maior aproximação à Rússia.

No relatório, a Unicef aponta que crianças refugiadas têm cinco vezes mais probabilidades de não ir à escola, sendo que em alturas de guerras e conflitos, as raparigas são mais pressionadas a abandonar a escola que os colegas do sexo masculino.

Durante a cimeira que decorre em Istambul no final do mês, a agência da ONU para as crianças vai anunciar um novo fundo de emergência escola, o Education Cannot Wait ('A educação não pode esperar'). O objetivo é reunir quase 4000 milhões de dólares (cerca de 3480 milhões de euros) ao longo dos próximos cinco anos para que 13,6 milhões de crianças possam receber apoio educacional de emergência.

No documento divulgado esta quarta-feira, a Unicef sublinha que quase todas as crianças de comunidades pobres que ficam sem ir à escola durante um ano não chegam a voltar à escola. "Durante crises, as crianças correm riscos particulares de perderem o direito à educação, apesar de as escolas lhes garantirem um espaço seguro e de representarem uma rotina vital para crianças durante períodos de grande turbulência", lê-se no relatório. "A educação dá às crianças os blocos de construção de que precisam para reconstruir as suas vidas, e eventualmente, o seu país."