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UE prepara-se para aplicar isenção de vistos aos turcos no espaço Schengen

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EMMANUEL DUNAND

A liberalização do regime de vistos foi uma das condições impostas pelo governo turco de Recep Tayyip Erdogan para aceitar receber refugiados que entrem “ilegalmente" na Grécia”

Fontes da Comissão Europeia avançaram esta terça-feira à BBC que o executivo da União se prepara para conceder isenção de vistos à maioria dos cidadãos turcos, como parte do acordo alcançado em março entre o bloco e o aspirante a Estado-membro, que prevê o repatriamento de refugiados e requerentes de asilo que entrem clandestinamente na UE.

No último mês, a Turquia chegou a ameaçar parar de cumprir a sua parte do acordo e começar a rejeitar estas pessoas se a sua exigência de isenção de vistos não fosse atendida. A condição do acordo impostas pelos turcos terá de ser aprovada por uma maioria qualificada do Parlamento Europeu e pelos 28 Estados-membros antes de entrar em vigor.

De acordo com as fontes ouvidas pela BBC, a Comissão fará um anúncio formal desta medida na quarta-feira, num esforço para garantir que a Turquia continuará a cumprir a sua parte do contestado acordo. Muitas organizações não-governamentais e inclusivamente agências da ONU criticam os termos da parceria, em particular a "devolução" de migrantes, requerentes de asilo e refugiados a um país onde as condições em que são tratados deixam muito a desejar.

Para a Amnistia Internacional, comprar a conivência da Turquia para que seja o país a lidar sozinho com milhões de refugiados é "um comprimido de cianeto coberto de açúcar"; para António Guterres, que está prestes a abandonar o leme da agência da ONU para os Refugiados, o acordo "é o contrário do que devia ser".