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Refugiados autoimolam-se, Austrália culpa os seus defensores

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Um iraniano de 23 anos morreu na semana passada e uma somali de 21 ficou em estado critico segunda-feira após se terem autoimolado pelo fogo. Os atos de desespero são frequentes nos remotos campos de detenção onde a Austrália mantém aqueles que tentam ilegalmente entrar no seu território

O ministro da Imigração australiano, Peter Dutton, acusou esta terça-feira os defensores dos refugiados de estarem a incentivá-los a autoagredirem-se como forma de chamarem as atenções para a sua situação, em sequência de mais um caso de uma detida do campo de Nauru que se autoimolou pelo fogo.

A mulher somali de 21 anos encontra-se hospitalizada em estado crítico após ter-se autoimulado na segunda-feira. Na semana passada, um iraniano de 23 anos, que também se encontrava detido na remota ilha do Pacífico de Nauru, morreu após ter-se autoimulado da mesma forma.

Cerca de 500 pessoas encontram-se detidas em Nauru e 850 na centro de detenção da ilha de Manus, em Papua Nova Guiné. Intercetados quando tentavam entrar na Austrália ilegalmente nas rotas dos traficantes de seres humanos e sem qualquer esperança de virem a terem autorização para entrarem no país, são remetidos para estes remotos centros de detenção em condições extremamente árduas e onde as crianças são vítimas de frequentes abusos sexuais.

“Os recentes comportamentos em Nauru não são protestos contra as condições de vida. Não são protestos contra a assistência média, não são protestos contra a falta de apoio financeiro”, afirmou o ministro australiano, durante a conferência de imprensa em Camberra, responsabilizando os defensores dos refugiados pelos atos de autoagressão.

Uma posição que foi contrariada pelas Nações Unidas, que considerou que estes casos ocorrem devido à dura política de isolamento para os quais a Austrália está a remeter aqueles que chegam ao seu território em busca de asilo vindos de Médio Oriente, do Afeganistão e do sul da Ásia. “Estas pessoas já passaram por muita coisa, muitas fugiram da guerra e de perseguições, alguns sofreram trauma”, referiu uma declaração do gabinete na Austrália do Alto Comissário para os Refugiados da ONU.