Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

O início do fim? Trump e Cruz batem-se pelo Indiana com os olhos postos na Califórnia

  • 333

AFP/freelancer

Mesmo sem John Kasich no caminho, o senador Ted Cruz tem a vida dificultada nas primárias desta noite. Se o magnata que lidera a corrida vencer no Indiana, só uma vitória de enormes proporções de Cruz na Califórnia poderá evitar que seja Trump a disputar a presidência com o candidato democrata

"Se vencermos no Indiana, está tudo acabado." Assim ditou Donald Trump no último domingo durante um comício de campanha em Terra Haute, a dois dias de os habitantes dessa e das outras cidades e condados do estado irem a votos na noite desta terça-feira.

"Tudo acabado" mas não para o magnata, que continua a liderar a corrida à nomeação republicana e que, depois desta noite, poderá ficar mais perto de garantir o mínimo de 1237 delegados eleitorais de que precisa para evitar uma convenção aberta e ver o seu nome do boletim de voto nas eleições presidenciais de novembro.

De acordo com o intrincado sistema de atribuição de votos e delegados do Indiana, o primeiro classificado nas primárias do estado acolhe automaticamente 50 dos 57 delegados em disputa. Se o número vier engrossar a já longa lista de delegados alocados a Trump, como preveem as sondagens, depois desta noite estará em rota definitiva para garantir a nomeação.

Neste momento, o populista e demagogo que veio agitar as águas republicanas já tem 956 delegados. Com os 50 do Indiana ultrapassará a barreira dos 1000 e ficará mais perto da nomeação, sobretudo se conseguir ficar em primeiro lugar na Califórnia, que vai a votos a 7 de junho e onde a maioria dos 172 delegados em disputa são automaticamente atribuídos ao candidato que angaria o maior número de votos, tal como no Indiana.

Por este motivo, e porque continua a autoproclamar-se o único capaz de destronar Trump, Ted Cruz passou a última semana a apostar as fichas todas no Indiana. Mas apesar do empenho e da espécie de acordo de cavalheiros que firmou com o outro rival da corrida, o governador John Kasich, não parece que vá conseguir singrar. De acordo com as sondagens mais recentes, Trump angaria 49% das intenções de voto no estado, contra 34% para Cruz e 13% para Kasich – que tinha aceitado não se candidatar no Indiana em troca de Cruz não ser candidato nas primárias do Oregon (17 de maio) e do Novo México (7 de junho), um acordo que ficou moribundo ainda antes de ser aplicado.

Considerando a alargada vantagem de Trump, os media e analistas estão, tal como os candidatos, já de olhos postos na Califórnia, o próximo grande estado a ir a votos na última Superterça-feira do longo processo de primárias.

A 7 de junho, os candidatos republicanos disputam não só os 172 delegados da Califórnia como 27 no Montana, 51 em New Jersey e 29 na Dakota do Sul, três estados onde o total de delegados são atribuídos ao primeiro classificado, para além dos 24 em disputa no Novo México, que são distribuídos de forma proporcional.

Justin Sullivan

Sanders no encalce de Clinton

Ao contrário do que antecipam as sondagens republicanas para esta noite a corrida democrata pode ficar ainda mais baralhada, considerando que Hillary Clinton tem uma mera vantagem de quatro pontos percentuais sobre o rival, o senador Bernie Sanders, entre os habitantes do Indiana que participaram nos inquéritos.

Se há algo que a corrida deste ano às nomeações dos dois partidos já provou é o falhanço de muitas sondagens. Noutras votações ao longo dos últimos meses, em estados onde se previa que a ex-secretária de Estado ia vencer com uma larga margem, aconteceu o oposto. É o que pode acontecer esta noite no Indiana a favor de Sanders.

Este é o calendário das próximas votações até as primárias dos dois partidos estarem concluídas:

3 de maio
Primárias no Indiana, 57 delegados republicanos em disputa e 92 democratas

7 de maio
Caucus democrata no território não incorporado de Guam, 12 delegados em disputa

10 de maio
P
rimárias republicanas no Nebraska, 36 delegados em disputa (o caucus democrata neste estado aconteceu a 5 de março)
Primárias na Virginia Ocidental, 34 delegados republicanos e 37 democratas em disputa

17 de maio
Primárias democratas no Kentucky, 61 delegados em disputa (o caucus republicano neste estado aconteceu a 5 de março
Primárias no Oregon, 28 delegados republicanos e 74 democratas

24 de maio
P
rimárias republicanas no estado de Washington, 44 delegados (caucus democrata foi a 26 de março)

4 de junho
Caucus democrata nas Ilhas Virgens, 12 delegados (caucus republicano aconteceu a 10 de março)

5 de junho
Caucus democrata em Porto Rico, 67 delegados (primárias republicanas foram disputadas a 6 de março)

7 de junho
Primárias na Califórnia (172 delegados republicanos, 546 democratas); em Montana (27 delegados para cada partido); New Jersey (51 delegados republicanos, 142 democratas); Novo México (24 republicanos, 43 democratas); Dakota do Sul (29 republicanos e 25 democratas)
Caucus democrata na Dakota do Norte, 23 delegados em disputa (os 28 delegados republicanos do estado podem escolher que candidato querem apoiar)

14 de junho
Primárias democratas no Distrito de Columbia (Washington DC, a capital), com 45 delegados em jogo (a convenção republicana de atribuição de delegados aconteceu a 12 de março)