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Herói de Hong Kong enfrenta julgamento

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O ativista Joshua Wong durante os protestos pró-democracia em Hong Kong

PHILIPPE LOPEZ/AFP

O jovem Joshua Wong, um dos líderes mais carismáticos do movimento “Occupy Central” de 2014 na ex-colónia britânica, começou a ser julgado esta terça-feira. Juntamente com outros três ativistas, é acusado de obstrução à justiça

Joshua Wong e outros três ativistas - que protestaram contra a interferência do Governo chinês no processo eleitoral para a eleição de um novo chefe Executivo em 2017 no território de Hong Kong – enfrentam julgamento e são acusados de obstrução à justiça.

Os quatro homens respondem em tribunal por terem impedido a polícia de desempenhar o seu trabalho durante um protesto, em junho de 2014, numa das zonas que viria a ser palco de gigantescas manifestações que ficaram para a História como a Revolução dos Chapéus de Chuva ou “Occupy Central.

Um vídeo da época, exibido durante o julgamento, mostra os líderes das manifestações a queimarem um documento posto a circular pelo Governo em que este recorda a “completa jurisdição” de Pequim sobre Hong Kong com base no princípio de “um país, dois sistemas”, que resultou do acordo estabelecido entre a China e o Reino Unido, em 1997.

Os quatro ativistas refutam as acusações. Joshua Wong (de apenas 17 anos), Nathan Law, Albert Chan e Raphael Wong lideraram as manifestações de 2014, nas quais milhares de pessoas sairam à rua para exigir eleições livres e universais em 2017.

O jovem herói de Hong Kong

Wong, o rosto do movimento pró-democracia em Hong Kong, seria eleito pela revista “Time” um dos jovens mais influentes de 2013 e esteve nomeado para Personalidade do Ano pela mesma publicação. A revista “Fortune” colocou-o entre os maiores líderes mundiais em 2015.

Foi no final de 2014 (setembro) que bairros inteiros da antiga colóna britânica paralisaram por dois meses ao serem ocupados por milhares de manifestantes que pernoitavam nas ruas e agitavam chapéus de chuva amarelos. Estes transformaram-se no símbolo da campanha pró-democracia. Em dezembro desse ano, após confrontos entre polícia e manifestantes, as autoridades acabaram por desmantelar os acampamentos espalhados pelo território.

Os ativistas que estiveram por trás da Revolução dos Chapéus de Chuva declararam, esta terça-feira, que o caso agora em julgamento tem “motivações políticas".

“Os quatro acusados negaram as acusações de obstrução, ofensa que pode valer uma sentença de até dois anos na prisão”, escreveu um correspondente da Al Jazeera.

O movimento pró-democracia em Hong Kong captou a atenção do mundo mas não conseguiu obter o que pretendia: alterações ao sistema político e democrático no território.

  • Abrir um guarda-chuva. Tão banal e agora tão relevante

    Hong Kong. Há uma semana que o mundo inteiro está naquelas ruas. Há uma semana que reaprendemos como um povo é mais forte quando se une pelas causas verdadeiramente relevantes. Há uma semana que sabemos que a razão não precisa de ira para se afirmar. Não sabemos como será nas semanas por vir e se o que é bom o continuará a ser, mas falámos com quem lá está para saber como tem sido.