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Bashar al-Assad e Estado Islâmico “estão a cooperar há vários anos”

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INCÓGNITA. Desde outubro de 2015, o Daesh entrou em dinâmica de derrota. Foi expulso de 40% do território que controlava. Perdeu Palmira. Mas nada garante que não voltará a atacar

reuters

Novos ficheiros a que a SkyNews teve acesso demonstram que retirada do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) de Palmira foi fruto da cooperação com o governo sírio, que troca petróleo e fertilizantes com os terroristas e que os avisa antes de bombardear determinadas zonas para que possam pôr-se a salvo

O autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) e o regime sírio de Bashar al-Assad mantêm negociações secretas há vários anos para definirem ações no campo de batalha, tendo cooperado quanto à cidade antiga de Palmira, de onde os batalhões do Daesh bateram em retirada no final de março, alegadamente após um novo acordo com o governo sírio.

A informação está a ser avançada esta terça-feira pela SkyNews, com base em novos ficheiros secretos do Daesh a que o canal teve acesso e que parecem comprovar estas ligações. De acordo com os mesmos documentos, o grupo tem estado a treinar militantes estrangeiros para que levem a cabo ataques contra alvos ocidentais há mais tempo do que os serviços de segurança europeus e norte-americanos suspeitavam.

A informação de que o Daesh abdicou de Palmira sob um acordo com o governo sírio foi confirmada por desertores do Daesh com quem o canal britânico mantém contactos recorrentes. De acordo com os ex-militantes, esse acordo entre o grupo terrorista e o regime de Assad "data de há vários anos".

As cartas citadas esta terça-feira pela SkyNews vêm juntar-se ao conjunto massivo de mais de 22 mil ficheiros internos do Daesh que lhe foram entregues por um desertor em março. Para além dos acordos que dizem diretamente respeito às movimentações no campo de batalha, os novos ficheiros apontam um outro acordo de troca de petróleo e de fertilizantes entre o Daesh e Assad e um pacto que prevê avisos aos jiadistas sobre bombardeamentos pelas forças do regime, para que abandonem essas áreas antes dos ataques.

Ao longo dos últimos 18 meses, a SkyNews tem mantido contactos com um grupo de homens que se juntaram ao Exército de Libertação da Síria, um dos grupos da oposição a Bashar al-Assad formado por desertores do exército logo a seguir à repressão violenta de manifestantes pacíficos em março de 2011.

Os homens fizeram parte do Daesh e integravam a sede do grupo em Raqqa. Desde que desertaram estão a viver na fronteira com a Turquia, onde operam uma rede que ajuda outros ex-militantes a fugirem do Daesh. A maioria, aponta o canal, não tem pudor em admitir que só desertou por discordar de decisões internas relacionadas com a liderança do grupo.