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Internacional

Zika por trás de outras doenças neurológicas em bebés além de microcefalia

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Criança nascida com microcefalia no Brasil

RICARDO MORAES/REUTERS

Cientistas brasileiros dizem à BBC que existe uma ligação entre o vírus e problemas no desenvolvimento dos cérebros de fetos numa em cada cinco grávidas infetadas

O vírus Zika, transmitido sobretudo por picadas de mosquitos mas também por via sexual, é "mais perigoso" do que inicialmente se julgava e pode estar por trás de uma série de problemas neurológicos que afetam bebés por nascer em uma de cada cinco grávidas infetadas.

Os avisos foram feitos esta segunda-feira por cientistas do Brasil à BBC, numa altura em que apesar de a transmissão estar em queda nalgumas partes do país, o vírus continua a espalhar-se naquela região do mundo.

Entre a maioria dos médicos e investigadores da área existe agora um consenso sobre a relação do vírus Zika e a microcefalia, em que bebés infetados nascem com cabeças anormalmente pequenas por causa dos efeitos do vírus no desenvolvimento do cérebro. De acordo com estudos médicos e científiicos, estima-se que 1% das mulheres que são infetadas com o Zika durante a gravidez têm bebés com microcefalia. Mas segundo médicos brasileiros consultados pela BBC, até 20% das gravidezes afetadas pelo vírus ficam marcadas por uma série de outros problemas nos cérebros dos bebés ainda por nascer.

Um estudo independente publicado recentemente no "New England Journal of Medicine" revelava que "29% dos exames demonstram anormalidades em bebés no útero, incluindo restrições no crescimento, em mulheres infetadas com o Zika".

Os casos de morte provocada pelo vírus são raros e é calculado que uma em cada cinco pessoas infetadas desenvolvam sintomas, que incluem febre, conjuntivite, dores de cabeça, dores nas articulações e alergias na pele. Uma doença rara que afeta o sistema nervoso, a síndrome de Guillain-Barre, que pode causar paralisia temporária, também já foi ligada à infeção pelo Zika.

Em meados de abril, especialistas norte-americanos já tinham alertado que os riscos inerentes ao vírus e à sua transmissão "são piores e mais graves" do que se pensou à partida, com responsáveis do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) a dizerem na altura que tudo o que têm analisado sobre o vírus "parece mais assustador do que inicialmente julgávamos". Ainda não existe uma vacina nem tratamentos terapêuticos para responder ao surto.