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Venezuela: crise energética e política agrava-se e Maduro apela à rebelião

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FEDERICO PARRA/GETTY

Presidente pediu aos venezuelanos para se revoltarem caso a oposição o afaste do poder. “Eu não descanso até que faça a revolução bolivariana vencer os novos desafios. Se não acaba a guerra económica, faço uma revolução no continente”, ameaça Nicolás Maduro

Não se vivem dias fáceis na Venezuela. Depois de o Governo de Nicolás Maduro ter decretado a redução da semana laboral para dois dias no sector público e o encerramento das escolas às sextas-feiras, os relógios adiantaram meia hora este sábado. O objetivo é sempre o mesmo: poupar energia.

A medida faz parte de um pacote de decisões tomadas pelo Executivo venezuelano em abril para responder à crise energética com a redução do preço do petróleo. Também a crise económica que assola o país está a ter forte impacto no quotidiano da população, que se debate com diculdades para obter os bens essenciais.

Entretanto, o Presidente venezuelano apelou este domingo aos cidadãos para se revoltarem caso a oposição o afaste do poder, acusando os EUA de o perseguirem. “Sem dúvida, sou o Presidente mais atacado do planeta pelos Estados Unidos. (...) Eu amo a paz, mas se a oligarquia algum dia disser algo contra mim e conseguir tomar este palácio – por uma via ou por outra – ordeno-vos a vocês, homens da classe operária, que se declarem em rebelião e que façam uma greve geral por tempo indeterminado até se alcançar a vitória”, declarou Maduro este domingo, em Caracas, próximo do Palácio de Miraflores.

Oposição quer referendo a Maduro

O Presidente venezuelano aproveitou o Dia do Trabalhador para anunciar a subida do salário mínimo em 30% e para criticar o ataque político de que se diz alvo. “A oposição está a fazer uma guerra, como a que fizeram com Hugo Chávez até que o mataram. Mas eu não descanso até que faça a revolução bolivariana vencer os novos desafios. Se não acaba a guerra económica faço uma revolução no continente. Estou preparado, o meu destino está nas mãos do povo. O povo não me deixará sozinho”, assegurou. O governante referia-se à recolha de assinaturas por parte da oposição com vista à realização de um referendo para revogar o mandato Presidencial.

Em recessão desde 2013, a situação económica na Venezuela é agravada pelo impacto da queda do preço do petróleo. O Fundo Monetário Internacional (FMI) já alertou que o quadro económico do país não deverá melhorar em breve. Segundo um relatório do organismo liderado por Christine Lagarde, o produto interno bruto (PIB) do país deverá cair 8% este ano e 4,5% no próximo. Por sua vez, a taxa de desemprego deverá disparar para 17% este ano e para 20% em 2017. Por outro lado, a espiral inflacionista deverá prolongar-se nos próximos anos no país, atingindo 2200% já em 2017.