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Expresso

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Trump acusado de pagar e tratar mal os seus funcionários

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Os funcionários do hotel criaram um sindicato mas ainda não conseguirem que a administração aceite negociar

GETTY

Há quem se queixe de ter sido despedido como um delinquente por ter tentado sindicalizar-se, quem desabafe perante a frieza e falta de humanidade do patrão Donald Trump. O candidato que está na frente nas primárias no Partido Republicano é acusado de intimidar, pagar pior e dar más condições aos funcionários do seu hotel em Las Vegas

Em média, ganham menos três dólares (2,6 euros) por hora do que trabalhadores sindicalizados que desempenham funções idênticas noutros hotéis de Las Vegas, para além de terem menos beneficios, entre os quais pensões e seguros de saúde não facultados pelo patrão Donald Trump.

Cerca de 500 trabalhadores do hotel de Las Vegas do candidato favorito nas primárias no Partido Repúblicano estão a lutar pela conquista de melhores condições de trabalho, através da criação de um sindicato que foi certificado no início deste mês.

Cerca de 70% dos que sindicalizaram são imigrantes, grande parte dos quais latinos, grupo que tem sido alvo de comentários humilhantes por parte de Trump.

“Eu sinto que para o senhor Donald Trump nós não interessamos como trabalhadores ou como seres humanos. Para o senhor Donald Trump, nós somos apenas um número”, desabafa Celia Vargas, de 57 anos, em declarações ao “The Guardian”. Natural de El Salvador e já com cidadania norte-americana, foi-lhe diagnosticado um cancro da mama em junho do ano passado. Atualmente, encontra-se endividada devido aos custos dos tratamentos.

Rosebert Donato, que trabalhou no hotel de Trump durante três anos, referiu ao jornal britânico que foi um dos funcionários despedidos pouco depois de terem votado a favor da criação do sindicato, em dezembro do ano passado. “Despediram-nos como delinquentes”, afirma, associando as rescisões ao envolvimento na criação do sindicato.

Por seu turno, Maricella Olvera, mexicana de 47 anos que costuma limpar a penthouse do hotel onde Trump, a sua família e convidados se alojam habitualmente, diz que a regra é “você não dirige a palavra ao patrão”. Algo a que já se habituou. E quando os hóspedes lhe dizem lamentar o que Trump tem dito de pessoas como ela, limita-se a responder: “Está tudo bem, eu respeito todas as mentalidades”.

Acusados de intimidar os seus trabalhadores, a gerência do hotel continua a recusar encetar negociações para rever as condições contratualizadas.