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Jornalista francês esteve seis meses infiltrado em célula jiadista

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Conseguiu aceder ao grupo usando o pseudónimo Said Ramzi. Não encontrou “nenhum valor do islamismo, nenhuma vontade de melhorar o mundo”, diz, “apenas jovens perdidos e frustrados, facilmente manipuláveis”

“Nenhum valor do islamismo, nenhuma vontade de melhorar o mundo. Apenas jovens que andam perdidos, frustrados, suicidas, facilmente manipuláveis.” Seis meses depois de ter permanecido infiltrado numa célula jiadista sob o pseudónimo de Said Ramzi, esta é a forma como um jornalista francês muçulmano descreve o ambiente em que viveu e a motivação dos seus supostos parceiros de luta.

“O meu objetivo era entender o que se passava nas suas cabeças”, explica o jornalista à agência AFP, citado pelo “El Mundo”. Mas “é muito triste”, conclui: “Tiveram o azar de nascer na era do Daesh. São jovens à procura de alguma coisa e foi isso que encontraram”.

Ramzi, que se descreve como um muçulmano da mesma geração dos terroristas responsáveis pelos atentados de Paris, diz não ter tido dificuldade em infiltrar-se. Começou por recorrer ao Facebook para interagir com aqueles que apregoavam a Jihad, tendo posteriormente conseguido uma reunião com alguém que se apresentou como o “emir” de um grupo de jovens, que incluia elementos de origem muçulmana e outros convertidos, mas todos radicados em França.

O jornalista adianta ainda que gravou com uma câmara oculta todos os seus movimentos enquanto era planeado um ataque em nome do autodenominado Estado Islâmico (Daesh).

O objetivo seria lançar um “rocket” sobre um avião no aeroporto de Bourget. “Será realizado em nome do Daesh e a França ficará traumatizada durante um século”, disseram-lhe.

Para convencer à sua participação no atentado eram usadas as promessas de sempre: mulheres à espera no paraíso, “um cavalo alado, ouro e um palácio”.

Segundo conta o jornalista, as coisas aceleraram depois do ataque à redação da revista “Charlie Hebdo”, em janeiro de 2015. Após um encontro marcado para uma estação de comboios, é-lhe delegada a missão de se dirigir a um clube noturno e disparar até à morte, fazendo-se explodir com um colete de explosivos após a chegada das forças de segurança. Nessa altura, porém, vários dos jovens são detidos e de um dos que escapou recebe uma mensagem ameaçadora.

“Foi nesta fase que terminou o meu período de infiltrado”, explicou Ramzi.