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Jean-Marie le Pen vaticina derrota da filha nas presidenciais de 2017

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THOMAS SAMSON

No discurso do 1.º de Maio, o fundador do partido francês de extrema-direita Frente Nacional, atualmente liderado pela filha tornada sua rival, diz que Marine “vai perder na segunda ou talvez logo à primeira volta das presidenciais

Este domingo marcou a primeira vez que Jean-Marie le Pen e a sua filha Marine levaram a cabo cerimónias distintas de homenagem a Joana d'Arc, santa padroeira de França que é regularmente invocada pelo partido de extrema-direita francês como símbolo nacionalista.

O dia da mártir do século XV, que coincide com o Dia do Trabalhador, é sempre motivo de celebrações da Frente Nacional desde a fundação do partido por Le Pen pai. Mas pela primeira vez desde que Marine le Pen expulsou o pai da formação política, cada um organiza um evento diferente para evocar a memória de Joana D'Arc. E foi durante a concentração organizada este domingo por Jean-Marie frente à estátua da guerrilheira em Paris que o antigo líder do partido augurou a derrota da filha tornada rival nas eleições presidenciais de 2017.

"Digo-o com gravidade e tristeza, mas dado que não houve esforços [dela] para uma reconciliação, a presidente da Frente Nacional vai perder à segunda volta ou, talvez, até à primeira volta" das eleições presidenciais em França, declarou Jean-Marie aos jornalistas na cerimónia.

Apesar de estarem de costas voltadas desde o início de 2015, no 1.º de Maio do ano passado Jean-Marie apareceu de surpresa no evento organizado pela filha e subiu ao palco, sem autorização, para falar aos presentes. O fundador da FN passou o testemunho à filha em 2011, antes de Marine o afastar da direção do partido há um ano e meio por causa de comentários antissemitas que proferiu sobre o holocausto nazi e que vieram pôr em risco os esforços da nova líder da Frente Nacional para lavar e suavizar a imagem do partido anti-imigração.

Nessa estratégia de 'desdemonização' do partido, Marine le Pen tem tentado atrair mais eleitores ao partido para além dos típicos votos de protesto e de grupos específicos e residuais da sociedade francesa. Para o seu pai, tentar que a FN se torne um partido minimamente aceite pela maioria dos franceses é um erro. Mas a julgar pelos resultados das eleições regionais disputadas em dezembro, nas quais a Frente Nacional triplicou o número de deputados, o partido está no bom caminho para cimentar a sua posição no panorama político francês.

Neste momento, a maioria dos sondagens prevê que a líder da extrema-direita vai conseguir garantir votos suficientes para disputar uma eventual segunda volta presidencial com um candidato mainstream. Esse candidato poderá não ser o atual Presidente François Hollande, cuja popularidade tem caído para mínimos recorde. Segundo um inquérito divulgado em meados de abril, cerca de 80% dos franceses são contra a recandidatura de Hollande nas presidenciais de 2017.

Em 2002, Jean-Marie le Pen conseguiu garantir votos suficientes na primeira volta das presidenciais de abril para passar à segunda e última ronda, onde acabou derrotado por Jacques Chirac.