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EUA tentam limitar regulações europeias nas negociações obscuras do TTIP

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Documento secreto a que o “El País” teve acesso e que a Greenpeace promete divulgar esta segunda-feira comprova que autoridades norte-americanas estão a fazer jogo de pressão sobre a União Europeia para poderem aplicar medidas mais contestadas da parceria comercial transatlântica

"As suspeitas confirmam-se". Assim escreve o "El País" num artigo publicado esta segunda-feira onde denuncia as pressões exercidas pelos Estados Unidos sobre a União Europeia nas negociações secretas da famigerada Parceria de Comércio e Investimento Transatlântico (TTIP, na sigla inglesa), de acordo com documentos confidenciais dessas negociações a que o jornal espanhol teve acesso.

De acordo com esse documento e "tal como temiam os mais críticos sobre essas negociações obscuras", refere o "El País", as autoridades norte-americanas estão a tentar modificar o processo legislativo na UE por forma a conseguir baixar o nível regulatório dentro dos Estados-membros e, assim, poderem aplicar as medidas mais controversas do pacote, como o cultivo de transgénicos.

É precisamente na área do ambiente e da saúde, onde se incluem alguns dos pontos mais polémicos do acordo, que os EUA querem reduzir os padrões europeus, com o "El País" a citar como dois exemplos mais evidentes dessa pressão "a indústria dos cosméticos e o uso de pesticidas na agroindústria". Ainda assim, refere o jornal, é notória esta atitude de pressão máxima pelos EUA nas negociações gerais, em questões que dizem respeito à alimentação, agricultura, barreiras comerciais, a proteção do meio ambiente e a saúde dos consumidores.

No domingo, a Greenpeace Holanda anunciou que vai divulgar esta segunda-feira de manhã o documento de 248 páginas, confidencial como quase todos os documentos produzidos durante as negociações secretas do TTIP, onde estas pressões norte-americanas são reveladas. Diz o "El País" que nesse documento fica comprovada não só a forma como Bruxelas está a ser pressionada para abandonar ou aliviar determinadas regras consideradas estritas pelos EUA, mas também o poder de influência dos lóbis europeus e norte-americanos sobre as negociações do contestado acordo.