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Dilma quer antecipar eleições para 2 de outubro

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No seu discurso do 1º de maio, Dilma anuncia aumentos de prestações sociais e redução de impostos

PAULO WHITAKER/REUTERS

A ainda presidente vai enviar ao Congresso no próximo dias uma Proposta de Emenda Constitucional para a realização de eleições presidenciais em outubro, em paralelo com as autárquicas. “Golpe”, diz agora o vice-presidente Temer

A nove dias do processo de destituição ser votado no Senado, o que em caso de aprovação ditará a suspensão de Dilma Rousseff do cargo, a ainda presidente joga uma última cartada. Quer levar perante os deputados uma Proposta de Emenda à Constituição para antecipar as eleições para a presidência e vice-presidência em outubro.

Isto num momento em que a maioria dos brasileiros (62%) estão descontentes com o processo de destituição e preferem a convocação de eleições para resolver a crise.

“Dilma e ministros como Jacque Wagner (Casa civil) e Ricardo Berzoini (Secretaria do Governo) concordam com a ideia de eleição, mas a presidente gostaria de conquistar o consenso dos movimentos sociais”, adianta O Globo nas sua edição de hoje.

A ideia de antecipar eleições ganhou força há duas semanas, quando um grupo de mais de 30 senadores avançaram com a entrega no Senado de uma PEC que prevê o encurtamento do mandato e a antecipação de eleições para Outubro. Na altura, o vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT) disse à edição semanal do Expresso que existe “um debate suprapartidário no Senado para propor um pacto e resolver a crise nas urnas. O caminho é longo e só se materializa com forte pressão das ruas, como nas Diretas Já”.

Sinal dessse “Pacto” foi dado pelo mesmo grupo de senadores de sete partidos diferentes, incluindo o PMDB a que pertence Michel Temer – o substituto de Dilma em caso de suspensão e destituição- ao enviar uma carta a Dilma, na quinta-feira passada, em que pedem à presidente “um gesto de grandeza” e que renuncie o seu mandato.

Para os movimentos sociais que apoiam a presidente, a questão de eleições antecipadas não é pacífica como no caso do Movimento dos Sem Terra (MST), para quem a ideia de convocar eleições seria negar a narrativa de que a destituição é um golpe. Michel Temer, o outro factor da equação que teria também que renunciar para haver antecipação de eleições, já reagiu dizendo que novas eleições são um “golpe”.

Apoio discreto de Lula

O ex-presidente Lula da Silva apoia a iniciativa, mas ainda não se pronunciou formalmente sobre a antecipação do acto eleitoral. Foi com o incentivo de Lula, que o grupo de senadores enviou a carta à presidente. Mas até agora, Lula tem-se mantido discreto.

O ex-presidente continua a ser o preferido pelo eleitorado brasileiro num cenário de eleições presidenciais. Uma sondagem recente da DataFolha dá Lula da Silva vencedor de três dos quatro cenários possíveis. E um empate no quarto cenário contra Marina Silva. O aparente distanciamento de Lula deve-se ao facto, segundo muitos analistas, de o que está em causa ser um “mandato-tampão”, ou seja acabar os dois anos que faltam à dupla-Dilma Temer e que acaba em 2018.

FHC “força” PSDB em governo Temer

Amanhã, terça-feira, está marcada a reunião do executivo do PSDB para decidir sobre a eventual participação do partido num governo liderado pelo actual vice-presidente Michel Temer. De acordo com a imprensa brasileira, uma grande parte dos militantes do PSDB foi a favor do apoio do processo de destituição mas está contra a participação do partido num governo de Michel Temer.

Na madrugada de hoje, segunda-feira, o ex-presidente Fernando Henriques Cardoso afirmou que o “PSDB não pode ficar de braços cruzados”. Numa entrevista à TV Bandeirantes citada pelo “Estadão”, Fernando Henriques defendeu que o seu partido “deverá participar” num novo governo e “dar apoio”. Mas para muitos analistas, as palavras do ex-presidente poderão não ser suficientes para unir um partido dividido por potenciais candidaturas presidenciais. Aécio Neves líder do PSDB e candidato derrotado por Dilma não esconde a sua ambição para concorrer às presidenciais de 2018. Objetivo que também faz correr outras duas figuras de proa do PSDB: o senador José Serra e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.