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Expresso

Internacional

Bélgica quer alargar distribuição de comprimidos para enfrentar eventual desastre nuclear

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Torres de arrefecimento da central nuclear de Tihange na Bélgica

VINCENT KESSLER

Ministra belga da Saúde quer distribuir tabletes de iodo entre os que vivem num raio de 100 quilómetros em redor de centrais nucleares. Governo justifica medida com possibilidade de acidentes como o de Fukushima, mas alteração das regulações poderá estar relacionada com suspeitas de planos de atentados

O governo belga que alterar as regras em vigor para poder distribuir comprimidos de iodo a mais cidadãos para fazer frente a um eventual desastre nuclear. A sugestão foi feita pela ministra da Saúde Maggie De Block, que pretende que todos os que vivem num raio de 100 quilómetros em redor das centrais nucleares do país tenham estes comprimidos consigo, numa tentativa de limitar os efeitos da radiação no organismo dos que ficarão mais expostos caso haja no país um acidente nuclear como o de Fukushima.

Neste momento, e de acordo com as regulações da potência nuclear, estes comprimidos só estão na posse de pessoas que vivem num raio de 20 quilómetros ao redor de centrais.

O "The Independent" sublinha que apesar de o governo defender a medida como resposta a um eventual acidente como o que foi registado na central de Fukushima, na sequência de um sismo e consequente tsunami que atingiram uma parte do Japão em março de 2011, esta alteração nas regras pode dever-se às suspeitas de que grupos como o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) estão a preparar ataques a centrais nucleares belgas.

Em fevereiro, o governo belga desmentiu uma notícia avançada pelo "La Dernière Heure" a dar conta de que membros do Daesh tinham captado imagens dos arredores da central de Mol, na Flandres. De acordo com o jornal, o grupo esteve ainda a monitorizar um alto funcionário do Centro de Estudos Nucleares da região.

Apesar de as autoridades belgas desmentirem estas informações, um mês depois dessa notícia ter sido divulgada o coordenador para o antiterrorismo da União Europeia (UE), Gilles de Kerchove, alertou para os riscos elevados de ciberataques à rede nuclear belga.

Semanas depois, já em abril, os media alemães noticiaram que Salah Abdeslam, um dos terroristas dos atentados de novembro em Paris, tinha consigo a planta de um centro de investigação nuclear da Alemanha quando foi capturado num subúrbio de Bruxelas a 18 de março. Essa notícia foi igualmente desmentida pelas autoridades do país.