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Venezuela: crise política e social intensifica-se, salário mínimo aumenta

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FEDERICO PARRA/AFP/Getty Images

O Presidente Nicolás Maduro anunciou este sábado um aumento de cerca de 30% nas pensões e salário mínimo. Decisão surge após uma semana na qual se intensificou a contestação por parte da população e oposição, que reuniu as assinaturas necessárias para a realização de um referendo sobre a revogação do seu mandato

Com a crise política, social e humanitária a atingir um ponto insustentável na Venezuela, o Presidente do país procura jogar em cima da mesa as cartas que ainda lhe restam: aumentar o salário mínimo, impedir a revogação do seu mandato, limitar os poderes do Parlamento venezuelano.

Este sábado, Nicolás Maduro anunciou mais um aumento do rendimento mínimo e das pensões na ordem dos 30%, com início a partir de este domingo, Dia do Trabalhador. Este é o segundo aumento deste ano (em março aumentou o salário 20%) e o 12º desde que Maduro chegou ao poder há três anos. O salário mínimo nominal, sem considerar a inflação, passa assim para 33.636 bolívares (9.936 euros), valor que já inclui o subsídio de alimentação, num país onde a inflação era, no final de 2015, de 180% (dados oficiais) e onde se espera que atinja 720% em 2016 e 2200% em 2017 (dados do FMI).

A decisão foi anunciada após uma semana conturbada sob o ponto de vista político e social, que abriu com o anúncio de Maduro de que os serviços público venezuelanos vão funcionar apenas às segundas e terças-feiras “pelo menos durante duas semanas” para poupar energia elétrica.

A crise de energia elétrica que se vive no país é, para Maduro, resultado do “calor extremo” e “extrema seca” que o fenómeno climático “El Niño” provocou no país. Já a oposição conta uma história diferente: o Governo de Nicolás Maduro não se preparou para o “El Niño” como deveria, preferindo apostar em políticas expansionistas e que sobreexploraram a energia nos útlimos anos.

A caminhar para uma guerra civil?

Durante esta semana, várias localidades do país viveram episódios de manifestações, violência e de pilhagem de supermercados e outros estabelecimentos comerciais, numa tentativa de encontrar alimentos e produtos básicos que escasseiam no país e, quando existem, são vendidos a preços insustentáveis.

A oposição venezuelana recolheu as assinaturas necessárias para a realização de um referendo com o intuito de revogar o mandato do Presidente. Segundo o líder da aliança opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD), o número de assinaturas recolhidas é oito vezes superior ao necessário: conseguiu-se 1.102.236, quando apenas necessitavam de 197.798. Já Nicolás Maduro não se deixou ficar: anunciou um “decreto especial de emergência” para deixar as decisões do Parlamento, onde a oposição tem maioria, sem efeito e já anunciou a criação de uma comissão para analisar “uma a uma” as rúbricas dos eleitores que assinaram a favor do referendo.

“Este ano tem-se vividouma situação terrível, porque se tem agravado a escassez de comida, de medicamentos, os cortes de luz. Algumas zonas do país estão sete e oito horas sem luz e não quatro como anunciado”, afirmou a conselheira das comunidades portuguesas na Venezuela Maria de Lurdes Traça, em declarações à Lusa. “A situação está insustentável e o nosso maior receio neste momento é que estejamos a caminhar para uma guerra civil. A situação é grave.”