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O dia em que os EUA mataram o homem mais procurado do mundo

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Osama Bin Laden, ex-líder da Al-Qaeda, assassinado em maio de 2011 pelas tropas norte-americanas

GETTY IMAGES

Foi há cinco anos que a Casa Branca recebeu uma mensagem aparentemente estranha: “Jerónimo”. Era o código acordado para informar que a missão tinha sido cumprida. Quase dez anos depois dos atentados do 11 de setembro de 2001, Osama bin Laden era aniquilado

Naquela longa tarde do dia 1 de maio (madrugada de dia 2 no Paquistão), Barack Obama trancou-se na Sala de Emergência da Casa Branca para acompanhar uma das operações mais arriscadas do seu mandato como Presidente dos Estados Unidos (EUA). Com ele, estavam a então secretária de Estado Hillary Clinton, o vice-presidente Joe Biden e alguns assessores de intelligence. Fora dessas portas, o segredo era (quase) total.

Reuniões após reuniões tinham permitido chegar a uma solução arriscada, mas considerada como sendo a única hipótese viável. Levar Osama bin Laden para a prisão de Guantánamo estava fora de questão, já que o Presidente prometera que não o faria, e bombardear a casa onde este se encontrava escondido na cidade paquistanesa de Abbottabad poderia colocar em risco muitas vidas inocentes. Informar o Governo do Paquistão estava igualmente fora de questão: e se as Forças Armadas paquistanesas fossem cúmplices do líder da Al-Qaeda?

Barack Obama, Joe Biden, Hillary CLiton e membros da equipa de Segurança Nacional recebem updates sobre o decorrer da Operação Lança de Neptuno

Barack Obama, Joe Biden, Hillary CLiton e membros da equipa de Segurança Nacional recebem updates sobre o decorrer da Operação Lança de Neptuno

Pete Souza / The White House via Getty Images

Dois helicópteros Black Hawks, dois Chinooks, 23 seals, um intérprete e um cão. Foi esta a equipa que recebeu o aval de Leo Panetta, diretor da CIA, para avançar sobre o complexo onde bin Laden se encontrava escondido. Um problema técnico com um dos helicópteros obrigou os seals a agirem rapidamente: usaram explosivos para rebentar com paredes, avançaram rapidamente ao longo dos andares e quando, ao fundo do corredor, viram o líder terrorista a tentar escapar, mataram-no.

Instantes depois, a Casa Branca recebia uma mensagem aparentemente estranha: “Jerónimo”. Era o código acordado para garantir que a operação “Lança de Neptuno” tinha sido cumprida com sucesso, como ficou ainda comprovado pelas fotografias do cadáver enviadas para a sede da CIA, em Langley.

Al-Qaeda: mais fraca, mas não extinta

“Boa noite. Esta noite, posso afirmar ao povo americano e ao mundo que os EUA conduziram uma operação que matou Osama bin Laden, o líder da Al-Qaeda e um terroristas responsáveis pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças inocentes.” O discurso de Obama, no dia seguinte, confirmou ao mundo aquilo que ainda poucos sabiam, meses antes da data em que se assinalava uma década após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

Bin Laden encontrava-se naquele complexo há cerca de cinco anos, privado de contactos com o mundo exterior e tendo apenas como ligação a este dois guarda-costas e membros da Al-Qaeda da sua confiança. Completamente dependente dos dois parceiros, sem dinheiro e paranoico com hipóteses de traição, Osama bin Laden estaria a tentar deixar aquele local e 'recrutar' dois novos guarda-costas, já que estes estariam “exaustos” e a temer pela sua vida, segundo avança o analista de Segurança Nacional da CNN Peter Bergen.

O complexo onde Osama bin Laden se encontrava escondido em Abbottabad, no Paquistão

O complexo onde Osama bin Laden se encontrava escondido em Abbottabad, no Paquistão

AAMIR QURESHI / AFP / GETTY IMAGES

Não o conseguiria, sendo encontrado pelos EUA num momento crucial. Cinco anos depois do dia em que os Estados Unidos celebraram o triunfo sobre a al-Qaeda, o que podemos concluir?

Apesar de ter ficado órfã e enfraquecida, ao longo dos anos temos assistido a um ressurgimento de braços armados do grupo terrorista, fundado em 1988 por bin Laden, em vários continentes: a Al-Qaeda na Península Arábica (AQAP), resultado da fusão das fações iemenita e saudita, que em 2015 reivindicou o ataque contra o jornal satírico francês Charlie Hebdo; a frente Al-Nusra, extensão do Daesh no Iraque e afiliada da Al-Qaeda; a Al-Qaeda no Magrebe Islâmico; e a Al-Qaeda no Subcontinente Indiano, fundada em 2014 com o intuito de estabelecer um Califado no Paquistão, Índia, Birmânia e Bangladesh.

  • CIA. A verdade é muito pior

    Alimentação retal, simulação de afogamento e dias seguidos de privação do sono foram alguns dos métodos de interrogatório utilizados pela CIA para obter informações a partir de suspeitos associados a Osama bin Laden, após os ataques do 11 de Setembro. Um relatório do Senado norte-americano, divulgado esta semana, concluiu que estes métodos foram ineficazes para a captura do ex-líder da al-Qaeda. As 6.000 páginas do documento relatam acontecimentos imprevisíveis e impressionantes, como o que envolveu Abu Zubaydah: esteve fechado 266 horas numa espécie de caixão - e depois mais 29 horas num espaço ainda pior.

  • O que esconde a "biblioteca de Bin Laden"?

    Obcecado pelos Estados Unidos, amoroso, preocupado com o aquecimento global e com a saúde dentária dos seus novos recrutas. As facetas desconhecidas do homem mais temido do início do século XXI que conhecemos nos documentos divulgados pelo Governo norte-americano.

  • Imagens inéditas de Bin Laden nas montanhas do Afeganistão

    Os procuradores norte-americanos divulgaram imagens raras do antigo líder da Al Qaeda nas montanhas do Afeganistão. As imagens, que foram agora apresentadas durante o julgamento de Khaled al-Fawwaz, foram captadas por Abdel Barri Atwan, o fundador e editor da al-Quds al-Arabi, publicação independente em árabe editada em Londres.