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Internacional

Albinos no Malawi em risco de extinção

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ARIS MESSINIS/AFP/Getty Images

ONU alerta para o risco de “extinção sistémica” dos dez mil albinos que vivem no Malawi, na sequência dos sequestros e ataques a pessoas afetadas por esta alteração genética. “As pessoas com albinismo, e os pais de pessoas com albinismo, vivem constantemente com medo de serem atacados”

A pequena Whitney Chilumpha era apenas uma criança. Enquanto dormia ao lado da mãe, na vila de Chiziya, no Malawi, no passado dia 3 de abril, a menina de dois anos foi sequestrada. A menina seria dada como desaparecida e dela seria apenas encontrado o crânio, os dentes e a roupa, em Balantha Hill, no mesmo distrito de Kasungu.

O caso de Whitney é apenas um entre muitos: a menina é a 12ª pessoa albina a ser assassinada no Malawi desde o final de 2014. A sua morte “está relacionada com as práticas inquietantes de desaparecimentos e homicídios de que são alvo as pessoas albinas no Malawi, onde se comercializam as partes do corpo das vítimas que foram objeto de atos de bruxaria”, explica Muleya Mwananyanda, diretor adjunto para a África Meridional da Amnistia Internacional (AI) na página oficial da ONG. Só no ano passado, foram realizados 45 atos de violência contra pessoas afetadas por esta alteração genética que produz uma redução ou ausência de pigmento melânico na pele, pelo e olhos. A AI acredita que estes números são mais elevados.

Sequestros, profanações de campas (de modo a roubar os ossos dos albinos já mortos) e venda de órgãos de pessoas com albinismo são alguns dos crimes mais comuns em vários países do continente africano, onde as pessoas acreditam que as partes do corpo dos albinos trazem saúde e boa sorte. Esta sexta-feira, a ONU alertou para o risco da “extinção total” da população albina no Malawi, um país onde existem cerca de dez mil albinos (numa população de 17 milhões), na sequência destes ataques, classificando-o como “um grupo em perigo que enfrenta o risco de extinção sistémica ao longo do tempo, se nada for feito” em contrário.

“As pessoas com albinismo, e os pais de pessoas com albinismo, vivem constantemente com medo de serem atacados”, diz Ikponwosa Ero num artigo publicado na página da ONU, nigeriana albina e especialista do Conselho de Direitos Humanos dedicado a este tema. “Muitas nem sequer dormem pacificamente e restringiram deliberadamente os seus movimentos ao mínimo necessário.”

Para a ONU, que descreve esta crise como “uma emergência e uma crise de proporções inquietantes”, é necessário que o Governo do Malawi comece a proteger as pessoas albinas e penalize de forma mais firme os seus agressores. “Como me disseram durante a minha visita [ao Malawi], roubar uma vaca pode originar uma pena maior.”