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Internacional

Situação “catastrófica” em Alepo após bombardeamento de hospital pelo regime

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KARAM AL-MASRI / AFP / GETTY IMAGES

ONU volta a deixar avisos sobre degradação do frágil cessar-fogo negociado entre o governo de Bashar al-Assad e a oposição armada não-jiadista que foi implementado a 27 de fevereiro

A ONU alertou esta sexta-feira para a situação "catastrófica" na cidade síria de Alepo, um dia depois de dezenas de pessoas terem perdido a vida numa série de ataques pelas forças do regime de Bashar al-Assad que, entre outros alvos, atingiram um hospital.

Os bombardeamentos contra e ao redor do hospital Al-Quds, gerido pelos Médicos Sem Fronteiras (MSF), provocaram pelo menos 27 mortos, com outras 30 pessoas a morrerem noutros ataques coordenados. Entre as vítimas mortais no hospital estavam pelo menos três crianças e o último médico pediatra que restava na cidade sitiada.

De acordo com o enviado da ONU Jan Egeland, os próximos dias vão ser vitais para fazer chegar ajuda humanitária urgente a várias zonas da Síria, numa altura em que o frágil cessar-fogo negociado entre o governo de Assad e grupos da oposição armados está moribundo.

Esta quinta-feira, numa conferência de imprensa em Genebra na qual pediu a Barack Obama e a Vladimir Putin que "salvem as negociações de paz para a Síria", o enviado especial da ONU para a Síria Staffan de Mistura avisou que esta trégua nas hostilidades, acordada entre rebeldes não-jiadistas e as forças do governo a 27 de fevereiro, está "à beira do colapso total".

À hora em que era confirmado o bombardeamento ao hospital dos MSF, De Mistura explicou aos jornalistas que, só entre terça e quarta-feira desta semana, um sírio morreu a cada 25 minutos e um ficou ferido a cada 13 em várias partes do país, que está em guerra civil desde março de 2011.

No dia anterior, o coordenador de respostas de emergência das Nações Unidas Stephen O'Brien acusou o governo sírio de ignorar "inúmeros" pedidos da organização para que seja garantida passagem segura até Daraya, um subúrbio de Damasco onde a situação é, nas suas palavras, "horrenda" e onde comida, água potável e medicamentos não são entregues desde 2012.