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Polícia belga “sabia desde 2014” que irmãos Abdeslam estavam a preparar “ato irreversível”

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Christopher Furlong

Relatório sobre atuação das autoridades belgas no rescaldo dos atentados de novembro em Paris revela graves falhas, desleixo e falta de recursos

A polícia belga tinha informações desde pelo menos meados de 2014 de que os irmãos Salah e Brahim Abdeslam, dois dos militantes do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) responsáveis pelos atentados de Paris em novembro, tinham intenções de levar a cabo "um ato irreversível".

É esta a principal denúncia feita num relatório confidencial compilado pelo regulador das autoridades da Bélgica sobre a sua atuação a seguir aos ataques que, a 13 de novembro de 2015, provocaram 130 mortos na capital francesa. Brahim Abdeslam foi um dos bombistas-suicidas que se fez explodir na série de ataques nesse dia. O irmão Salah fugiu e viveu escondido num subúrbio de Bruxelas até ser capturado a 18 de março, quatro dias antes do duplo atentado na capital belga.

De acordo com as conclusões do relatório, a que o "Politico" teve acesso, a polícia belga sabia desde pelo menos 2014 da radicalização dos dois irmãos de ascendência marroquina, conhecia as ligações de ambos ao "cérebro" dos atentados de Paris, Abdelhamid Abaaoud, e sabia que tinham intenção de cometer atentados.

A unidade de combate ao terrorismo defende desde o início que não introduziu um relatório formal com estas informações sobre os irmãos Abdeslam na base de dados central da polícia porque não conseguiu apurar qual dos dois irmãos estava envolvido em atividades terroristas. O regulador da polícia desconstrói esse argumento no relatório agora tornado público, referindo que os nomes de ambos já estavam nessa base de dados.

No mesmo relatório, a polícia belga é acusada de agir com desleixo face a indivíduos suspeitos como os Abdeslam, que sempre viveram no subúrbio de Mollenbeek onde Salah foi capturado, citando ainda os "recursos limitados" da força policial e a falta de orientação dos agentes que lidam com procedimentos oficiais e informação sensível.

“Nada foi feito com os processos" que continham informações sobre os dois homens, é ainda apontado no relatório. Esses processos permaneceram intactos porque "ninguém assumiu" essa investigação. "Consequentemente, até aos atentados de Paris nada aconteceu."