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Donald Trump e Ted Cruz enfrentam historial questionável de assessores

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RHONA WISE

Responsáveis pelas campanhas dos dois aspirantes à nomeação republicana na Califórnia trabalharam juntos na campanha de um candidato às presidenciais da Guatemala que defendia a transmissão de execuções públicas na televisão estatal

A notícia está a ser avançada em exclusivo pelo "The Guardian" esta sexta-feira: Tim Clark e Ron Nehring, respetivamente responsáveis pelas campanhas de Donald Trump e de Ted Cruz na Califórnia, nem sempre foram rivais e quando trabalharam juntos, em 2011, tinham como patrão um candidato às eleições presidenciais na Guatemala que, entre outras medidas controversas, defendia execuções públicas ao estilo medieval.

De acordo com o jornal britânico, há quatro anos os dois homens eram conselheiros de campanha de Manuel Baldízon, um populista católica de direita que, antes de integrar o Congresso guatemalteco, criou um império de milhões e que, em 2011, decidiu candidatar-se ao cargo de Presidente. Acérrimo defensor da pena de morte, Baldízon baseou a sua campanha nas promessas de levar a seleção da Guatemala ao Mundial de Futebol e de promulgar uma lei para que as execuções de criminosos fossem transmitidas na televisão pública.

O "The Guardian" diz que Clark e Nehring passaram seis semanas na Guatemala em 2011 para aconselharam Baldízon, que acabaria por ficar em segundo lugar, com 46% dos votos. Foi o atual assessor de Trump na Califórnia quem confirmou a informação numa entrevista aprofundada que concedeu ao jornal britânico, na qual assumiu que ele e o outro consultor político republicano que é atualmente seu rival receberam dinheiro de Baldízon para garantir "interesses empresariais" do candidato — que em 2015 abandonou o seu partido, Liberdade Democrática Renovada, após ficar em terceiro lugar nas presidenciais que deram a vitória ao comediante Jimmy Morales.

O caso não é único. Na quinta-feira à noite, a "Foreign Policy" publicou um artigo com as reações de membros do Partido Republicano ao facto de um dos principais delegados eleitorais de Ted Cruz, o senador do Texas evangélico que quer impedir a nomeação do rival Trump, ter ido à Síria encontrar-se com Bashar al-Assad.

Segundo uma notícia da agência estatal síria citada pelo "The Guardian" esta semana, Dick Black, membro do Senado de Virginia que é o atual vice-diretor da campanha de Cruz naquele estado, esteve no país em guerra civil há pouco tempo para discutir uma solução com o Presidente — "apesar de não ter qualquer papel oficial na política externa dos EUA", refere o diário.

"Serei a voz da Síria", disse Black citado pela agência do país. Em 2014, o senador estatal já tinha entrado em contacto com Assad, com quem os EUA cortaram relações diplomáticas após o início da guerra civil em março de 2011. Nesse ano, Black enviou uma carta ao Presidente sírio para o congratular pela sua governação, uma missiva que foi publicada na página oficial de Assad no Facebook.