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Diretor-executivo do “New York Times” acusado de discriminação

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Depois de ter sido diretor-geral da BBC, Mark Thompson assumiu o cargo de CEO da empresa New York Times há dois anos, após o despedimento de Jill Abramson

Neilson Barnard

Queixa foi submetida em tribunal por duas funcionárias negras do departamento comercial, que acusam Mark Thompson, antigo diretor-geral da BBC, e outra executiva de “discriminação com base na raça, idade e sexo”, dando preferência a jovens brancos

O diretor-executivo do "New York Times" e uma outra executiva do diário, Meredith Levien, estão no centro de uma ação legal interposta por duas funcionárias negras do departamento comercial, por alegadamente "criarem um ambiente onde prolifera a discriminação dos trabalhadores com base na idade, raça e sexo".

Ex-diretor-geral da BBC, Mark Thompson é acusado pelas duas funcionárias, Ernestine Grant, de 62 anos, e Marjorie Walker, de 61, de dar preferência a trabalhadores jovens, brancos e sem responsabilidades familiares.

No processo multimilionário, as duas mulheres alegam que, "sem o conhecimento do mundo em geral, o Times tem não só um consumidor ideal (branco, jovem, rico) como um ideal de funcionário (jovem, branco, livre de família) que atraia esse consumidor ideal".

Thompson é acusado por ambas de perpetuar o mesmo tipo de discriminação de que foi acusado durante a sua passagem pela BBC. Quando ainda trabalhava no canal britânico, e perante as primeiras acusações de discriminação, o executivo reconheceu que "há muito poucas mulheres mais velhas a fazer televisão na BBC".

Eileen Murphy, porta-voz da empresa New York Times, diz esta sexta-feira em comunicado que as acusações das duas funcionárias são "uma série de ataques injustificados, reclicados e grosseiros" contra Mark Thompson e Meredith Levien. "Discordamos totalmente de qualquer alegação de que o Times, Thompson ou Levien discriminaram qualquer indivíduo ou grupo de funcionários", lê-se no documento. "O processo judicial em curso é inteiramente injustificado e pretendemos lutar contra ele vigorosamente em tribunal."

Levien, que foi contratada por Thompson para gerir a tesouraria da empresa, terá, segundo as duas queixosas, declarado no passado que o seu departamento comercial deve estar cheio de "caras frescas" e de "pessoas que se pareçam com aquelas a quem vendemos produtos". Grant e Walker dizem que, tal como outros funcionários, foram "empurradas para fora" do departamento para deixarem disponíveis vagas para pessoas mais jovens e brancas.

O processo judicial surge dois anos depois de o "New York Times" ter despedido Jill Abramson, a primeira mulher a assumir a direção executiva do jornal desde a sua fundação em 1851. O despedimento de Abramson, depois de três anos a ocupar o cargo atualmente nas mãos de Thompson, deu azo a especulações de que terá sido dispensada por contestar o facto de receber menos dinheiro do que os seus colegas homens em cargos semelhantes. A empresa desmente até hoje que Abramson tenha sido alvo de discriminação.