Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Racionamento de eletricidade gera protestos na Venezuela

  • 333

Lago de Maracaibo, no estado venezuelano de Zulia

JUAN BARRETO

Governo não admite distúrbios, mas governador do estado de Zulia, do partido do Presidente Nicolás Maduro, já confirmou que mais de 70 estabelecimentos foram saqueados desde o início da semana em duas cidades

Pelo menos sete estados venezuelanos estão a ser palco de protestos e pilhagens desde que o governo de Nicolás Maduro impôs cortes no consumo de eletricidade na segunda-feira, para fazer frente à crise energética no país. De acordo com o jornal local "Versión Final", citado pelo espanhol "El País", já houve distúrbios nos estados de Zulia, Miranda, Bolívar, Trujillo, Lara, Vargas e Carabobo, mas o governo não o admite oficialmente.

Em Maracaibo, capital do estado petrolífero de Zulia, parte da população está há vários dias em protesto nas ruas contra o racionamento de eletricidade, que impede o consumo de energia elétrica entre as 12h e as 20h todos os dias, uma medida que o governo diz ser temporária e que, para já, estará em vigor durante dois meses.

A população está furiosa com a impossibilidade de usar energia elétrica para combater as altas e húmidas temperaturas que se fazem sentir por esta altura do ano naquela região. Segundo o "Versión Final", pelo menos 12 estabelecimentos, incluindo padarias, lojas de eletrodomésticos, supermercados e instituições do governo, já foram alvo de pilhagens na capital do estado de Zulia desde segunda-feira.

O governador do estado, o chavista Francisco Arias Cárdenas, faz outro balanço, falando em mais de 70 lojas destruídas ou saqueadas em sete freguesias de Maracaibo, bem como na cidade de Manchiques, confirmando que 103 pessoas já foram detidas. Para Cárdenas, as pilhagens são "uma ação de destabilização que cavalga sobre a crise elétrica e que não ajuda na busca de uma solução".

O governo de Maduro está a aplicar uma série de medidas, para já temporárias, como os cortes na eletricidade para fazer frente à crise energética que está a agravar-se no país, por causa da queda dos preços do petróleo, o principal bem exportado pela Venezuela, e por causa da seca extrema. Na quarta-feira, o vice-presidente, Aristobulo Isturiz, anunciou que os funcionários públicos só vão trabalhar às segundas e terças-feiras até que a crise esteja resolvida.