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Enviado da ONU para a Síria pede a Obama e a Putin que “salvem conversações de paz”

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ABDALRHMAN ISMAIL/REUTERS

Staffan de Mistura diz que o processo de paz “está à beira do colapso” e que, só nas últimas 48 horas, um sírio foi morto a cada 25 minutos e um ficou ferido a cada 13, apesar da trégua implementada em fevereiro

Os Estados Unidos e a Rússia têm de intervir urgentemente e "ao mais alto nível" nas negociações de paz na Síria para "salvar" essas conversações. O alerta foi feito ontem por Staffan de Mistura, o enviado especial da ONU para a Síria, após ter inteirado o Conselho de Segurança sobre o processo de paz congelado e a trégua negociada em fevereiro entre o governo e a oposição, que nas suas palavras "está quase morta".

Para De Mistura, a frágil "cessação de hostilidades tem de ser salva do colapso total" numa altura em que "pode colapsar a qualquer momento". Só nas últimas 48 horas, sublinha o enviado, um sírio foi morto a cada 25 minutos e um foi ferido a cada 13. Para que as negociações de paz sejam concluídas com algum sucesso, as hostilidades têm de ser reduzidas para os níveis registados logo a seguir à implementação do cessar-fogo em fevereiro.

Apesar de essa trégua continuar em vigor, a violência na Síria tem estado em crescendo esta semana, com pelo menos 20 civis mortos na quarta-feira num bombardeamento do governo a um hospital e a uma zona residencial no leste de Aleppo.

Em declarações à AFP, membros dos chamados Capacetes Brancos, um grupo de civis que estão a voluntariar-se para defender as suas cidades disseram que entre esses mortos estão incluídas crianças e o único médico pediatra que ainda estava vivo naquele bastião de rebeldes opositores a Bashar al-Assad.

Para Staffan de Mistura, está nas mãos dos EUA e da Rússia a eventual solução da guerra civil que, em março deste ano, entrou no sexto ano consecutivo. Os legados dos Presidentes Barack Obama e Vladimir Putin, sublinhou ontem, vão estar ligados ao sucesso do processo de paz na Síria — onde quase meio milhão de pessoas já morreram, havendo pelo menos 7 milhões de deslocados internos e 4,7 milhões de refugiados.