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Cidadãos globais no mundo emergente, cidadãos nacionais nos países industrializados

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STRINGER

Há cada vez mais pessoas de países como a Índia, a China, a Nigéria ou o Peru a assumirem-se primeiro como cidadãos do mundo, uma tendência inversamente proporcional à forma como os cidadãos de países como a Alemanha ou a Rússia se identificam no mundo globalizado

O número de pessoas que se identificam primeiro como cidadãos do mundo está a aumentar, uma tendência que é particularmente notória em economias emergentes, por oposição ao registado nos países mais industrializados, como a Alemanha e a Rússia.

É esta a principal conclusão de uma sondagem levada a cabo pelo GlobeScan para a BBC, cujos resultados foram apresentados esta quinta-feira. De acordo com os inquéritos feitos a mais de 20 mil pessoas em 18 países, a tendência registada no chamado mundo desenvolvido demonstra que, entre 2001 e este ano, houve uma queda no número de pessoas que se identificam como cidadãs do mundo mais do que como cidadãs dos países onde nasceram e vivem.

Mais de metade dos inquiridos em economias emergentes como a China ou o Peru, num total de 56%, dizem considerar-se, acima de tudo, cidadãos do mundo. O número é particularmente alto na Nigéria (73%), à qual se segue a China (71%), o Peru (70%) e a Índia (67%). Pelo contrário, nas nações mais ricas a tendência é a inversa: na Alemanha, por exemplo, apenas 30% das pessoas dizem hoje que são, antes de mais, cidadãs do mundo globalizado, um conceito que perdeu apoio entre os cidadãos após a crise financeira de 2008.

Segundo Lionel Bellier, da GlobeScan, este é o número mais baixo já registado na Alemanha desde que esta sondagem começou a ser levada a cabo há 15 anos. São resultados que "têm de ser lidos no contexto de um ambiente muito carregado, política e emocionalmente, em reação à política de Angela Merkel de abrir as portas a um milhão de refugiados no ano passado", defende, citado pela BBC.

O estudo tem por base inquéritos a mais de 20 mil pessoas da Nigéria, China, Peru, Índia, Espanha, Quénia, Gana, Paquistão, Canadá, Brasil, Grécia, Reino Unido, Indonésia, EUA, México, Chile, Alemanha e Rússia. Para além de falarem sobre a sua visão de si próprios no país e no mundo em que vivem, os participantes foram ainda questionados sobre o acolhimento de refugiados e as relações entre pessoas de raças, credos e nacionalidades distintos.

Cerca de 54% dos alemães inquiridos dizem apoiar a abertura das fronteiras aos que fogem de guerras e repressões no Médio Oriente e África, um número inferior ao registado entre os cidadãos do Reino Unido, onde 72% apoiam o acolhimento de refugiados e dizem ser contra as políticas do governo conservador de David Cameron.

Sobre se o casamento entre cidadãos de diferentes países, o número mais alto de aprovação foi registado em Espanha, onde 91% dos inquiridos defende que é um bom avanço, seguidos dos britânicos (86%), franceses (79%), russos (43%) e alemães (34%).