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Internacional

Funcionários públicos da Venezuela vão trabalhar só dois dias por semana

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Vice-presidente do governo de Nicolás Maduro, Aristobulo Isturiz

FEDERICO PARRA

É mais uma medida temporária do Governo de Nicolás Maduro para enfrentar a grave crise energética que está a afetar o país por causa da queda dos preços do petróleo e da seca extrema

O Governo de Nicolás Maduro anunciou a introdução de uma semana laboral de apenas dois dias de trabalho para todos os funcionários do setor público, no que é mais um esforço temporário para responder à grave crise energética. A Venezuela está a sofrer as consequências da queda dos preços do petróleo, o principal produto exportado pelo país.

O anúncio foi feito esta quarta-feira pelo vice-presidente, Aristobulo Isturiz, que explicou à população que, até esta crise estar contida, os funcionários públicos só irão trabalhar às segundas e às terças-feiras.

A par da queda dos preços do crude no mercado mundial, a Venezuela está a lidar com um período de extrema seca que reduziu drasticamente os níveis de água na sua principal barragem hidroelétrica. Na semana passada, o governo de Maduro tinha anunciado a imposição de cortes no consumo de eletricidade durante pelo menos 40 dias para enfrentar a crise energética.

A nova medida anunciada por Isturiz na televisão pública afeta pelo menos dois milhões de pessoas. "Não haverá trabalho no setor público às quartas, quintas e sextas, excepto se houver tarefas fundamentais e necessárias para cumprir", declarou à nação.

Em 9 de abril, o Presidente já tinha apelado às mulheres venezuelanas para que deixassem de usar os secadores de cabelo e optassem por diferentes tipos de penteados. Quanto ao setor público, Nicolas Maduro anunciara, também naquela data, um decreto prevendo que todos os funcionários públicos deixariam de trabalhar às sextas-feiras durante dois meses.

A gravidade da situação foi denunciada na Argentina esta quarta-feira pelo editor chefe do diário venezuelano "El Nacional". Miguel Henrique Otero expôs a crise política e social que o país vive durante um encontro com as federações laborais dizendo que Maduro "não reconhece o estado de emergência humanitária em que se econtra o país para não o revelar ao mundo", disse Otero reconhecendo a dificuldade de "justificar a emergência quando o país repousa sobre a maior reserva de petróleo que existe", relata a edição desta quarta-feira do "El Nacional".