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Espanha ficou sem tempo: rei vai convocar eleições

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Filipe VI, Rei de Espanha na tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa

PAULO PETRONILHO

Filipe VI não vai convidar nenhum líder partidário a formar governo. Espanhóis votam no final de junho

Pela primeira vez na história da democracia espanhola, haverá uma repetição das eleições. Após a terceira ronda de contactos com os líderes partidários, que aconteceu esta terça-feira, o rei Filipe VI decidiu não convidar qualquer candidato a formar Governo.

“Não existe nenhum candidato que conte com os apoios necessários para o Congresso de Deputados, se for caso, lhe conceder confiança”, lê-se no comunicado divulgado pela Casa Real.

Nos últimos dois dias, o rei esteve reunido com os representantes dos partidos com assento parlamentar e constatou que nenhum poderia passar numa eventual votação de investidura no Congresso.

Embora o comunicado não faça qualquer menção à convocação de novas eleições, é isso que deverá acontecer, pois esta quarta-feira, às 16h, termina o prazo para convocar um plenário de investidura que permita realizar uma votação antes de atingir a data limite. A 2 de maio, as Cortes Gerais são dissolvidas e termina o prazo para a investidura.

Segundo o “El País”, tudo aponta para que a campanha eleitoral comece a 10 de junho, que o sufrágio se realize a 26 de junho e que, previsivelmente, a 20 de julho seja constituído um novo Governo e um novo Senado.

Pedro Sánchez, secretário-geral do Partido Socialista espanhol (PSOE), foi ouvido esta terça-feira pelo rei. À saída já deixava antever o desfecho da terceira ronda de reuniões. “Não conto com mais de 131 assentos no parlamento (90 do PSOE, 40 do partido de centro-direita Ciudadanos e um da Coligação Canárias), que é insuficiente para fazer frente ao bloco do bloqueio do senhor Rajoy e do senhor Iglesias. Não posso nem devo submeter-me a uma nova investidura. Portanto, vamos para novas eleições.”

O rei recebeu em seguida Mariano Rajoy. Um vez mais - à semelhança do que já tinha feito nos restantes encontros -, o atual chefe do governo em funções lembrou que o PP foi o vencedor das eleições, embora não reúna os votos necessários para formar governo sólido. O “El País” conta ainda que Rajoy recusou a ideia de que terá feito um pacto para que o congresso o elegesse como primeiro-ministro.

Nas duas rondas anteriores de conversações entre os partidos e Filipe VI, o resultado foi o mesmo: Sanchéz foi a votos no congresso para ser investido como primeiro-ministro de Espanha. Em ambos os casos, apenas conseguiu reunir o apoio do PSOE (o partido que lidera), do Ciudadanos e da Coalición Canaria.

  • Pedro Sánchez: “Vamos a novas eleições”

    O líder do PSOE, depois de uma reunião com o rei Filipe VI, disse que não se iria submeter a mais nenhuma ronda de investidura. Sánchez conta com 131 assentos no parlamento, o que não suficiente “para fazer frente ao bloco do bloqueio do senhor Rajoy e do senhor Iglesias”