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Internacional

Conservadores britânicos chumbam acolhimento de três mil crianças refugiadas

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LOUISA GOULIAMAKI/AFP/Getty Images

Oposição promete lutar contra veto do governo. Acolher crianças não acompanhadas da Síria e de outros países em guerra “é a coisa certa a fazer”, diz deputada conservadora que votou a favor da emenda trabalhista

A maioria dos deputados do Partido Conservador britânico chumbou na noite desta segunda-feira uma emenda à lei da imigração proposta pelo Partido Trabalhista, para permitir que o Reino Unido acolhesse cerca de três mil crianças refugiadas que chegaram a território europeu sem acompanhamento.

Com 294 votos contra a emenda, o governo conseguiu garantir uma maioria simples para rebater a proposta da oposição, sob o argumento de que acolher estas crianças se transformaria num "fator de atração" para outras crianças e adultos buscarem refúgio no Reino Unido. Entre os 276 deputados que votaram a favor da medida contam-se alguns conservadores, entre eles Tania Mathias, que defende que acolher estas crianças "é a coisa certa a fazer".

Reagindo à votação, o ministro-sombra trabalhista para a Imigração, Keir Starmer, prometeu continuar a lutar para que o Reino Unido acolha crianças fugidas de guerras no Médio Oriente e África. "Não podemos virar as costas a estas crianças vulneráveis na Europa, a História vai julgar-nos por isso", declarou esta terça-feira de manhã em entrevista à BBC 4. "Isto não acabou: a luta vai continuar", promete.

Yvette Cooper, que lidera o grupo de trabalho do Partido Trabalhista para os Refugiados, tinha pedido aos deputados conservadores que fizessem a coisa certa e que aprovassem a emenda à lei da imigração. No final do debate e da votação na noite desta segunda-feira, disse estar "profundamente desapontada" com o governo por ter rejeitado a emenda, "ainda que com uma reduzida maioria".

"Milhares de crianças estão a dormir ao relento na Europa, vulneráveis a exploração e abusos e a Grã-Bretanha não devia virar-lhes as costas", declarou, prometendo manter a pressão na Câmara dos Comuns para que o Reino Unido "faça a sua parte para ajudar" estas crianças.