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Obama lembra a “magnitude” europeia e apela à “união” dos Estados

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HAUKE-CHRISTIAN DITTRICH/ EPA

Falou de “falso conforto” e do “instinto humano” em repudiar aquilo que é diferente. Seja por quem amam, a quem rezam ou simplesmente pela aparência, as diferenças não podem colocar as pessoas umas contra as outras, pois o ódio pode acabar em “campos de concentração e em [situações como] Srebrenica”. Barack Obama pediu união e integração

Obama está de visita à Europa. No último dia de viagem, o presidente norte-americano apelou à união e ao fim do autoritarismo. Na Alemanha, falou do perigo que é ter medo da diferença e relembrou o renascer das cinzas do velho continente após a Segunda Guerra Mundial.

“Talvez, precisem de alguém de fora que vos lembre a magnitude do que conseguiram construir a partir ruínas da Segunda Guerra Mundial”, disse Obama, citado pelo jornal britânico “The Guardian”. “Mais de 500 milhões de pessoas, que falam 24 línguas diferentes em 28 países - 19 com uma moeda única - numa só União Europeia. Isto permanece como uma das maiores conquistas dos tempos modernos”, acrescentou.

O presidente norte-americano sublinhou ainda que há algo de “natural” na busca de conforto pelo que nos é familiar, junto daqueles que nos são semelhantes. “No mundo atual, mais do que em qualquer outro momento da história, essa é uma falsa sensação de conforto”, defendeu Obama, que acrescentou ainda que este comportamento “coloca as pessoas umas contra as outras” apenas tendo em conta aquilo que amam, a fé que professam ou pela aparência.

“Não podemos permitir que os nossos receios sobre a segurança e a desigualdade enfraqueçam o nosso compromisso para com os valores universais. Isso é uma falsa sensação de conforto. O pensamento distorcido pode levar à opressão, segregação, a campos de concentração e a [situações como o massacre de] Srebrenica”, recordou.

E, uma vez mais insistiu que a integração de pessoas “de todas as origens e fés -incluído os cidadãos muçulmanos -” é fundamental para que os países sejam “mais fortes, seguros e bem-sucedidos”. “Uma Europa forte é uma necessidade do mundo, pois uma Europa integrada é vital para a ordem internacional”, considerou Obama. “A resposta não é desligarmo-nos uns dos outros, mas sim trabalhar em conjunto”.

O presidente norte-americano reforçou a necessidade de resolver “estes problemas” para que ninguém “explore estes medos e os use de uma forma destrutiva”. Para Obama, há uma “assustadora” tendência política a crescer com base na “intolerância e em vozes barulhentas que recebem muita atenção”.

Este é um momento decisivo no velho continente: “Se a Europa pacífica, unida, pluralista, liberal e de mercado-livre começar a questionar o progresso que tem sido feito, então não conseguiremos esperar que os que agora começa acontecer no mundo continue. Em vez disso, estaremos em empoderar aqueles que defendem que a democracia não funciona”.