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Internacional

Seis detidos na Turquia suspeitos de ligações ao Daesh

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Autoridades turcas afirmam que os suspeitos queriam atacar dignatários do Estado e alvos estratégicos

Seis estrangeiros suspeitos de ligações ao Estado Islâmico foram detidos na Turquia e acusados de planear um ataque contra "dignatários de Estado", horas antes da visita ao país de altos representantes da União Europeia, indicaram este sábado as autoridades turcas.

As detenções ocorreram durante a madrugada de hoje em Konya (centro), numa altura em que a Turquia se prepara para a visita esta tarde do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, da chanceler alemã, Angela Merkel, e do vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, a um campo de refugiados na província de Gaziantep, no sul do país, com fronteira com a Síria e os territórios controlados pelo grupo Estado Islâmico (EI).

"Os suspeitos queriam atacar dignatários do Estado e alvos estratégicos", segundo a agência France Presse, que cita um comunicado das autoridades em Konya, uma cidade onde a polícia tem levado a cabo várias operações contra círculos jihadistas suspeitos.

"A operação ajudou a impedir um eventual ataque", acrescenta o comunicado.

Está previsto que Tusk, Merkel e Timmermans participem com o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, numa conferência de imprensa esta tarde, no final da visita ao campo de refugiados de Nizip 2, em Gaziantep.

Aberto em 2013, o campo de Nizip 2 acolhe em instalações pré-fabricadas cerca de 5 mil refugiados sírios, entre os quais 1.900 crianças, de acordo com números do Governo turco.

A visita servirá para "mostrar como a Turquia e a UE unem as suas forças para enfrentar a crise dos refugiados sírios", afirmou à AFP a Comissão Europeia, indicando que Bruxelas disponibilizou até agora 77 milhões de euros para apoio de diversos projetos na Turquia, aos quais se somarão em breve mais 110 milhões de euros.

A deslocação acontece três semanas depois do reenvio para a Turquia dos primeiros migrantes da Grécia, no quadro do controverso acordo assinado no passado dia 18 de março, em que a Turquia se comprometeu a aceitar o regresso ao seu território de todos os migrantes chegados ilegalmente à Grécia a partir de 20 de março.

O plano prevê, por outro lado, que por cada refugiado sírio reenviado para a Turquia, outro seja "instalado" num país europeu, num limite de 72 mil vagas.

Em contrapartida, os europeus aceitaram disponibilizar até seis mil milhões de euros, relançar as discussões da adesão da Turquia à União Europeia e acelerar o processo de libertação de vistos para os turcos.

O Governo turco, que prometeu aos seus 79 milhões de cidadãos a isenção dos 'visas' até ao final de junho, ameaçou esta semana não respeitar o acordo, caso os europeus não honrassem os seus compromissos.

O executivo europeu anunciou, entretanto, que apresentará um relatório sobre o assunto no próximo dia 04 de maio.