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Trump manda assessor garantir aos republicanos que a sua imagem vai mudar

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FOTO © MIKE SEGAR / REUTERS

Gravação de encontro à porta fechada, a que a Associated Press teve acesso, mostra novo diretor de campanha do líder da corrida republicana a garantir ao Comité Nacional do partido que a "imagem que tem projetado" vai alterar-se porque "o papel que desempenha está a evoluir"

Donald Trump está finalmente a tentar agradar a liderança do Partido Republicano, numa altura em que continua à frente na corrida pela nomeação presidencial do partido mas ainda sem garantias de que consiga garantir, até junho, os 1237 delegados necessários para derrotar os rivais e disputar a presidência dos EUA em novembro.

Depois de ter vencido as primárias do estado de Nova Iorque na terça-feira, o magnata do imobiliário que desagrada à maioria dos membros do Grand Old Party (GOP) enviou os seus assessores para uma reunião à porta fechada com os líderes do partido, a fim de garantirem que a sua postura na corrida eleitoral norte-americana vai alterar-se.

Numa gravação desse encontro privado, a que a Associated Press teve acesso, um dos assessores de Trump é ouvido a declarar que "a imagem que tem projetado até agora" vai alterar-se, já que o "papel que tem desempenhado está a evoluir".

Aos membros do Comité Nacional Republicano, o recém-contratado diretor de campanha de Trump, Paul Manafort — substituto de Stuart Jolly, que apresentou a sua demissão no início da semana — declara que Trump tem uma persona pública que não se confunde com a privada.

"Quando ele está nos palcos, quando fala de todas aquelas coisas de que fala no palanque, está a projetar uma imagem que tem esse propósito" de conquistar votos, diz Manafort, numa aparente referência às declarações explosivas e xenófobas que têm marcado a campanha de Trump. Questionado sobre os baixos ratings do candidato nas sondagens nacionais, o assessor garante logo a seguir: "Os [resultados] negativos vão descer, a imagem dele vai mudar."

As garantias às chefias republicanas são tidas como uma tentativa desesperada de Trump de assegurar que, caso não alcance o mínimo necessário de delegados, uma maioria dos membros do partido ficará ao seu lado em julho numa eventual brokered convention, ou convenção aberta — quando nenhum dos candidatos à nomeação consegue 1237 ou mais delegados no processo de primárias e tem de ser escolhido em debates e votações internas.

Não é certo quando é que a reunião entre os assessores do empresário populista e a liderança do GOP aconteceu, com o seu conteúdo a seri divulgado esta sexta-feira de manhã pela AP, a quatro dias de cinco estados norte-americanos escolherem os seus candidatos em primárias.

Na próxima terça-feira, os habitantes do Connecticut, Delaware, Maryland, Pensilvânia e Rhode Island vão às urnas escolher quem querem que dispute o lugar ocupado por Barack Obama pelos partidos republicano e democrata. Nas primárias republicanas, os delegados em disputa nos estados de Delaware, um total de 16, serão atribuídos ao primeiro classificado, com os 38 delegados de Maryland e os 71 da Pensilvânia a serem atribuídos, na sua maioria, também ao vencedor. Os restantes, 28 do Connecticut e 19 de Rhode Island, serão distribuídos pelos candidatos conforme os resultados da votação.

Neste momento Trump tem já garantidos à partida 844 delegados eleitorais; se vencer em todos os cinco estados que vão a votos na próxima semana ficará com 1016, mais perto do mínimo necessário mas ainda assim sem garantias de que consiga alcançar esse limite até a corrida estar terminada. Depois de terça-feira, estarão ainda em disputa 502 delegados entre a votação de 3 de maio no Indiana e a de 14 de junho na capital, Washington DC, que encerra as primárias dos dois partidos.

Do lado democrata, e depois da vitória sem surpresas esta semana em Nova Iorque, Hillary Clinton continua encaminhada para firmar o mínimo de 2383 delegados de que precisa para obter a nomeação do partido. Neste momento, a ex-Secretária de Estado já tem do seu lado 1446 delegados contra os 1200 do senador do Vermont Bernie Sanders, seu único rival na corrida. Apesar de a diferença parecer reduzida, Clinton tem um avanço considerável sobre Sanders nos chamados superdelegados, uma característica exclusiva do Partido Democrata, tendo já chamado a si 502 contra os 38 que deram o seu apoio formal a Sanders.