Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Presidente do México quer marijuana medicinal e menos limites ao uso recreativo

  • 333

PABLO PORCIUNCULA/AFP/Getty Images

Promessa de Peña Nieto em levar novo projeto-lei ao Congresso para aliviar regras sobre a posse e o consumo de canábis foi feita no mesmo dia em que Comissão Global de Políticas para a Droga voltou a pedir aos líderes mundiais que descriminalizem "todas as drogas"

O Presidente do México propôs esta semana que a posse e consumo de marijuana sejam legalizados para fins medicinais e que as regras contra o uso recreativo da droga leve sejam aliviadas.

Na quinta-feira à noite, Enrique Peña Nieto seguiu o exemplo do Canadá, que horas antes tinha anunciado que pretende legalizar totalmente a posse e o consumo de canábis em 2017, e prometeu enviar para o Congresso um projeto-lei para, entre outras coisas, aumentar o limite máximo de posse de marijuana de 5 para 28 gramas.

O anúncio foi uma surpresa considerando que, ao longo dos anos, Nieto tem sido um dos mais fortes opositores da liberalização de canábis num país violentamente afetado pelo tráfico e violência entre gangues, uma guerra que provocou dezenas de milhares de mortos em anos recentes.

"Nós, mexicanos, conhecemos demasiado bem o espetro e defeitos de políticas punitivas e proibicionistas e da chamada guerra contra as drogas que prevaleceu durante 40 anos", declarou o Presidente mexicano. "O nosso país sofreu, como poucos, com os efeitos nocivos do crime organizado ligado ao tráfico de droga. Felizmente, um novo consenso tem aparecido gradualmente em todo o mundo a favor de uma reforma das políticas de drogas. Um crescente número de países está a combater de forma tenaz os criminosos em vez de criminalizar os consumidores, oferecendo alternativas e oportunidades."

As suas declarações seguiram-se às dos líderes da Comissão Global de Políticas para a Droga, que numa sessão especial da ONU esta quinta-feira voltaram a pedir a todos os governos do mundo que legalizem todas as drogas para acabar com uma estratégia que já se provou falhada.

"O processo [da guerra contra as drogas] era fatalmente defeituoso desde o início", declarou Richard Branson, milionário que dirige o Virgin Group e um dos maiores defensores da legalização total de drogas. "Pode já ser demasiado tarde" para resolver os problemas implementados com essa guerra, sublinhou ainda.

A Comissão é composta por 25 figuras e líderes proeminentes, incluindo os antigos Presidentes do Brasil, Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), do México, Ernesto Zedillo (1994-2000), e da Colômbia, César Gaviria (1994-2004). O encontro de ontem foi organizado a pedido do México, Colômbia e Guatemala, três dos países mais afetados pela chamada guerra contra as drogas inaugurada nos EUA por Richard Nixon nos anos 1970. Sob essa estratégia, as prisões de todo o mundo foram ficando cheias de consumidores de droga enquanto os traficantes e barões da droga foram ficando, na sua maioria, em liberdade.

Os defensores da legalização total das drogas defendem uma abordagem médica ao assunto, distiguindo os diferentes tipos de drogas, prestando apoio aos que ficam viciados em drogas duras e desviando os valores milionários da produção e venda de drogas das redes de narcotráfico para os cofres dos Estados, regularizando o consumo e os impostos sobre a produção e venda. Os críticos da medida falam em tornar mais fácil o acesso de crianças e jovens a drogas.