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Combate do Reino Unido ao terrorismo mais eficaz "dentro da UE", diz Obama

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Obama aterrou na quinta-feira à noite em Londres para uma visita de três dias ao Reino Unido

Dan Kitwood

Em artigo publicado no diário "Telegraph", Presidente dos EUA manifesta-se publicamente e pela primeira vez sobre a possibilidade de o Reino Unido abandonar o bloco europeu

As capacidades do Reino Unido para lutar contra o terrorismo são "mais eficazes" se o país permanecer com os seus aliados europeus. É esta a opinião de Barack Obama expressa num artigo publicado esta sexta-feira pelo jornal britânico "Daily Telegraph", horas antes de o Presidente dos EUA se encontrar com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, em Downing Street.

Desde que Cameron convocou para 23 de junho um referendo à permanência ou saída do Reino Unido da União Europeia, Obama ainda não se tinha ainda manifestado publicamente sobre a possibilidade de uma Brexit. Hoje, e como antecipado pelos media na quinta-feira, escolheu um dos jornais com maior abrangência e tiragem do país para convencer os britânicos a escolherem ficar no bloco europeu, num artigo intitulado "Como vosso amigo, deixem-me dizer-vos que a UE torna a Grã-Bretanha ainda melhor".

Apesar de sublinhar que, em última instância, a decisão é da responsabilidade dos eleitores britânicos, Obama ressalta no mesmo artigo que "o resultado da decisão é um assunto de profunda importância para os EUA" e que "dezenas de milhares de americanos que descansam em cemitérios da Europa são testemunhas silenciosas de quão verdadeiramente interligadas estão a nossa prosperidade e segurança" — "e o caminho que escolherem agora", avisa, "irá igualmente ecoar nas perspetivas da geração americana de hoje".

É esperado que no primeiro dos três dias de visitas oficiais ao Reino Unido, o líder norte-americano continue a apresentar o seu caso pela permanência do Reino Unido na UE, sob fortes acusações de "hipocrisia" pela campanha pró-Brexit.

Num artigo de resposta ao de Obama, assinado pelo autarca de Londres, no tablóide "The Sun" desta sexta-feira, Boris Johnson acusou o Presidente Obama de dar "um exemplo perfeito do princípio faz-como-eu-digo-e-não-como-eu-faço".

Sob o título "O Reino Unido e a América podem ser ainda melhores amigos do que Obama se deixarmos a UE", um dos grandes defensores da Brexit e figura maior do Partido Conservador de Cameron começa por acusar Obama de ter retirado um busto de Winston Churchill da sala oval assim que tomou posse pela primeira vez em 2009 e de ter devolvido essa estátua do antigo primeiro-ministro britânico à embaixada do Reino Unido em Washington.

Johnson prossegue depois na apresentação dos seus argumentos contra a permanência na UE, perguntando aos leitores se conseguem nomear algum eurodeputado que os represente neste momento em Bruxelas e Estrasburgo, declarando que, "entre a legislação primária e secundária a UE gera agora 60% de todas as leis que passam por Westminster" e dizendo que o Reino Unido "perdeu o controlo sobre as suas fronteiras".