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Tsipras recusa mais austeridade e insiste no alívio da dívida

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Carl Court/Getty

Depois de a Comissão Europeia ter anunciado esta quinta-feira que a Grécia registou um excedente orçamental primário de 0,7% do PIB em 2015, o primeiro-ministro grego insiste que o país não precisa de medidas adicionais. Impasse entre Bruxelas e o FMI prossegue

Em linha com aquilo que defendera Jean-Claude Juncker esta quarta-feira e depois de a Comissão Europeia ter anunciado que a execução orçamental da Grécia foi melhor do que o previsto, o primeiro-ministro grego garantiu esta manhã que o país não necessita de mais medidas de austeridade. Alexis Tsipras voltou também à apelar à reestruturação da dívida helénica, à semelhança do quem tem feito ainda antes de ser eleito chefe do Executivo grego.

“A Grécia, que registou um excedente orçamental primário de 0,7% em 2015, não necessita de medidas adicionais. O que a Grécia precisa é alívio da dívida, isso é é essencial. Precisamos de avançar e ultrapassar finalmente a crise”, declarou Alexis Tsipras esta quinta-feira, citado pela Reuters.

O governante defendeu ainda que o país não pode voltar a recuar, repetindo as “más escolhas” e “projeções erradas” do passado. Entretanto, o porta-voz do Executivo grego acusou o Fundo Monetário Internacional (FMI) de falta de credibilidade relativamente às projeções económicas, depois de a Comissão Europeia ter anunciado esta quinta-feira que a Grécia registou um excedente orçamental primário de 0,7% do produto interno bruto (PIB) em 2015, de acordo com o Eurostat.

De acordo com o jornal “Kathimerini”, que cita um alto funcionário da União Europeia (UE), a única forma de a Grécia concluir o exame ao terceiro resgate e desbloquear a próxima tranche de ajuda é o país adotar as reformas necessárias e preparar um pacote de contingência de medidas adicionais.

Bruxelas e o FMI não estão de acordo quanto à conclusão do
exame ao terceiro resgate à Grécia: enquanto o Fundo insiste que o governo grego deve adotar já mais medidas de austeridade, a Comissão Europeia não defende essa necessidade.

“Eu e a Comissão acreditamos que os nossos números estão certos e que não há necessidade de medidas de contingência. Tornei isso perfeitamente claro quando falei com Lagarde”, disse Juncker ao site Euro2day.

O líder do executivo comunitário admitiu, contudo, que a instituição poderá analisar essa hipótese - de serem lançadas já mais medidas adicionais -, caso o FMI seja irredutível e coloque isso como exigência. “Se para colmatar as diferenças entre as instituições e o governo grego, tais medidas [de austeridade] forem apresentadas como opção examinaremos o assunto”, concluiu.

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    O presidente da Comissão Europeia diverge do FMI quanto à estratégia a seguir em relação à conclusão do primeiro exame ao terceiro resgate à Grécia. Em entrevista ao site financeiro grego Euro2day também defendeu que a reestruturação da dívida helénica deve ser discutida e condenou os que regressaram com o aviso de uma saída da Grécia do euro ( Grexit)