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Internacional

ONU retira centenas de pessoas de quatro cidades sitiadas na Síria

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Mais de cinco mil pessoas fugiram para a passagem fronteiriça de Azaz para tentarem entrar na Turquia

Bulent Kilic

Pelo menos 500 doentes e feridos e seus familiares foram retirados no processo de evacuação parcial de dois subúrbios da capital e de duas cidades da província de Idlib, mediante um frágil cessar-fogo. Mais de 40 mil pessoas terão fugido nos últimos dias de Alepo perante ofensiva renovada do regime contra rebeldes

Equipas das Nações Unidas começaram a evacuar parcialmente quatro cidades sírias cercadas para retirarem os que precisam de ajuda médica urgente, naquele que foi um raro sinal de progresso humanitário dentro do país ao início do sexto ano de guerra civil.

A passagem segura foi garantida aos mais necessitados na noite desta quarta-feira, madrugada de quinta em Portugal, numa complexa missão ao mesmo tempo possibilitada e dificultada por um frágil cessar-fogo que colapsou no início da semana.

De acordo com Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, os planos previam a retirada de pelo menos 500 pessoas das quatro cidades, incluindo doentes e feridos e os seus familiares. As operações de evacuação foram conduzidas em Zabadani e Madaya, perto de Damasco, e de Fuaa e Kafraya, duas cidades da província de Idlib, no norte, que estão sob controlo das forças do regime de Bashar al-Assad.

Nos arredores de Madaya, onde dezenas de pessoas estão a morrer à fome, sete autocarros brancos foram avistados a retirar os residentes mais necessitados. Dezenas de homens, mulheres e crianças foram retirados dos autocarros para serem revistados antes de voltarem a embarcar e seguirem caminho, noticia o correspondente da AFP.

Também na quarta-feira à noite, num comunicado distinto, a ONU denunciou que pelo menos 40 mil sírios fugiram nos últimos dias dos combates a terem lugar nos arredores de Alepo, onde as forças leais a Assad retomaram uma ofensiva contra rebeldes da oposição apesar da trégua implementada.

A escalada de violência está a levar os milhares de deslocados internos a buscarem refúgio em Azaz, uma cidade na fronteira com a Turquia, e em Bab al-Salam e Sijjou, palcos de campos de refugiados montados pela ONU, avança o braço da organização para os Assuntos Humanitários (OCHA).

"Estamos extremamente preocupados com a intensificação dos combates no norte da Síria e o seu impacto nos civis, bem como na entrega de ajuda humanitária na área", diz Ariane Rummery, da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR).

De acordo com os Médicos Sem Fronteiras, há neste momento mais de 100 mil pessoas encurraladas na fronteira da Síria com a Turquia. Mais de 35 mil delas fugiram na última semana de campos improvisados que foram destruídos pelo autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).

A fronteira da Turquia continua encerrada, com as autoridades a permitirem apenas passagem aos que estão seriamente doentes ou feridos. Dentro da Síria, há mais de quatro milhões de pessoas a viver em zonas sitiadas ou de difícil acesso, com poucos ou nenhuns bens de primeira necessidade e medicamentos a chegarem a essas comunidades.