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Fidel pede ao PC de Cuba para não abandonar a revolução

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Fidel fala aos congressistas, sob o olhar atento do irmão mais novo e Presidente cubano Raúl Castro

Omara Garcia / Cortesia AIN / Reuters

Num dos seus últimos discursos públicos, no congresso do PCC, o ex-Presidente surgiu frágil, falou da morte e pediu a preservação dos ideais comunistas. O seu irmão, o atual Presidente Raúl Castro, promete sair do poder em 2018

Fidel Castro, o ex-Presidente de Cuba que governou o país entre 1976 e 2008, surgiu em público pela primeira vez em vários meses para discursar no congresso do Partido Comunista Cubano (PCC) na capital, Havana.

O líder da revolução de 1959, que depôs o ditador apoiado pelos EUA Fulgêncio Batista, fez a rara aparição pública na noite desta terça-feira, oito anos depois de se ter retirado da vida política devido a problemas de saúde, passando o testemunho ao irmão Raúl. Aparecendo frágil, Fidel falou sobre a morte a seis meses de completar nove décadas de vida, a 13 de agosto.

"Em breve terei 90 anos. Em breve estarei como todos os outros. Chega sempre a nossa vez", disse aos 1300 ativistas do partido presentes na convenção em Havana. "Esta será provavelmente a última vez que falo neste recinto."

Nesse mesmo discurso, pediu aos apoiantes e membros do partido que mantenham vivos os ideais da revolução comunista cubana. "As ideias dos comunistas cubanos vão permanecer como prova de que neste planeta, se se trabalhar afincadamente e com dignidade, podem produzir-se os bens materiais e culturais de que os seres humanos precisam", sublinhou sob fortes aplausos.

No congresso, o Partido Comunista aprovou um referendo, o primeiro em 40 anos, ao modelo económico da ilha e a reformas constitucionais, uma consulta popular ainda sem data marcada e que deverá limitar-se a confirmar o trajeto e estratégias do regime.

A par disso, Raúl Castro anunciou que vão ser impostos limites de idade para a ocupação de cargos políticos: os 60 anos passam a ser a idade máxima para ingressar no Comité Central do PCC e os 70 anos a idade máxima para ocupar cargos de direção no partido. A medida afeta, entre outros, o próprio Presidente cubano, que completa 85 anos este ano e já confirmou que pretende abandonar o poder em 2018.

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