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Encontrada no Paraguai mais uma testemunha que estreita o cerco judicial a Cristina Kirchner

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AGUSTIN MARCARIAN/ reuters

Jorge Oscar Chueco é advogado de Lázaro Báez, que foi durante anos o homem de confiança do casal Kirchner. E uma peça fundamental na investigação em curso que visa reconstruir o que já ficou conhecido como a “rota do dinheiro K”

Há dois dias, Jorge Oscar Chueco era um homem deprimido, fechado num hotel em Encarnación, no Paraguai. Era também o homem mais procurado pela justiça argentina, de onde saíra em segredo e com a intenção de cometer suicídio, segundo disse à mulher ao telefone. Foi graças a este contacto que a polícia acabou por encontrá-lo, entregando-o às autoridades argentinas. Chueco é advogado do empreiteiro Lázaro Báez, por sua vez preso em Buenos Aires por suspeita de lavagem de dinheiro num caso de corrupção que tem como principal protagonista nada menos que Cristina Kirchner, a ex-Presidente do país.

O nome de Jorge Chueco surgiu no depoimento de um delator, Leonardo Fariña, e é mais uma peça encontrada na investigação judicial em curso que visa reconstruir "a rota do dinheiro K", ou seja, a origem e itinerário da fortuna dos Kirchner, e no contexto da qual Cristina já foi intimada a depor.

Não é em vão que o diário espanhol "El País" desta quinta-feira atribui a esta história componentes de um romance de espionagem. Chueco foi preso à entrada do hotel onde se hospedava, não tinha documento de identificação e deu à polícia paraguaia o nome de Antonio Cubilla. Levado à esquadra, não foi difícil provar que se tratava do prófugo de 65 anos que alegadamente estará envolvido na saída de mais de 50 milhões de dólares e no retorno deste montante em bonos da dívida soberana argentina.

Jorge Chueco foi também intermediário de vários argentinos que criaram sociedades em paraísos fiscais por meio da Mossack Fonseca, o escritório de advogados especialista em offshores hoje em escrutínio no âmbito dos Panama Papers. Mas o seu maior interesse para a justiça argentina é o facto de estar umbilicalmente ligado a Lázaro Báez, amigo íntimo do casal Kirchner, neste momento preso sob a acusação de ter desviado dinheiro destes para contas na Suíça ao longo dos 12 anos em que estiveram no poder.

Báez, que era caixa num banco antes de se tornar um empreiteiro multimilionário, começou a enriquecer graças à atribuição de projetos de obras públicas na província de Santa Cruz, a sul do país, onde Néstor Kirchner era governador. A imprensa argentina aponta-o igualmente como responsável pela administração financeira da família Kirchner.