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A chama do Rio de Janeiro já está acesa

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YANNIS BEHRAKIS / REUTERS

Os Jogos Olímpicos de 2016, que terão lugar no Rio de Janeiro, estão lançados com o acender da tocha olímpica, esta manhã. No percurso entre as ruínas do templo de Hera e a capital carioca, Rosa Mota será um dos portadores da chama

A mais antiga chama do mundo já está acesa. Nas ruínas do templo de Hera em Olímpia, na Grécia, a tocha olímpica ganhou vida esta quinta-feira, com destino aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a decorrer este verão no Brasil.

A cerimónia contou com a presença de uma conhecida atriz grega, que acendeu a mítica chama no papel de sacerdotisa antiga. Usando uma “skapia” – espécie de espelho côncavo grego que converge os raios solares para um determinado ponto – o fogo olímpico reacendeu-se num ritual estabelecido há 80 anos nos Jogos de Berlim, por sua vez baseado naquela que seria a cerimónia tida na Antiguidade.

Depois de aceso, o símbolo dos Jogos Olímpicos foi entregue ao ginasta grego Eleftherios Petrounias, o primeiro de uma longa lista de atletas de todo o mundo que transportarão a chama numa estafeta. Por lá estará Rosa Mota, medalha de ouro na maratona dos Jogos de Seul 1988 e atual vice-presidente do Comité Olímpico Português. A antiga maratonista transportar da tocha durante alguns quilómetros a 26 de abril, ainda na Grécia.

O momento do acender da tocha na antiga cidade de Olímpia, na Grécia

O momento do acender da tocha na antiga cidade de Olímpia, na Grécia

YANNIS BEHRAKIS / REUTERS

É tradição que a chama olímpica comece a sua travessia na Grécia, país “berço” dos Jogos Olímpicos da Antiguidade apesar de na sua versão moderna apenas os ter recebido por duas vezes (em 1896 e 2004). Depois de seis dias na Grécia, o símbolo rumará à América do Sul, chegando por fim ao estádio olímpico do Rio a 5 de agosto, mesmo a tempo da cerimónia de abertura.

Uma tocha em fogo cruzado

A edição deste ano dos Jogos Olímpicos será decerto conturbada. Às sucessivas polémicas sobre a construção dos estádios e à epidemia do vírus zika (que já ameaçou deixar alguns atletas de fora), junta-se a atual instabilidade política no país. A Presidente brasileira Dilma Rousseff tinha viagem marcada para assistir à cerimónia desta manhã na Grécia, mas foi forçada a cancelar a deslocação devido às complicações do processo de destituição em curso.

Junta-se ainda a atual crise de refugiados, que levou o Comité Olímpico Internacional (COI) a montar uma comitiva apenas constituída por atletas de várias nacionalidades que a guerra forçou a sair dos seus países. “Estamos a fazer história. Estes Jogos Olímpicos serão uma mensagem de esperança em tempos difíceis, esta chama irá levar essa mensagem ao mundo”, garante o presidente do COI Thomas Bach.

A tocha fará agora uma viagem de seis dias pela Grécia, onde passará por um campo de refugiados. Rosa Mota fará parte do percurso

A tocha fará agora uma viagem de seis dias pela Grécia, onde passará por um campo de refugiados. Rosa Mota fará parte do percurso

VASSILIS PSOMAS / EPA

A mensagem é replicada pelo presidente do comité organizador dos Jogos, Carlos Nuzman. “[O acender da tocha] traz uma mensagem que irá unir o Brasil, um país que está a sofrer muito mais do que merece na busca por um futuro melhor”, disse, numa mensagem com claros contornos políticos.

Neste momento Portugal conta com 63 atletas apurados para o evento, espalhados por modalidades como o atletismo, judo, ciclismo, ginástica, canoagem, futebol e tiro.