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NATO e Rússia quebram o gelo

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Foto de 12 de abril da Marinha dos EUA mostra o que parece ser um SU-24 russo a sobrevoar o contratorpedeiro USS Donald Cook, no Mar Báltico

© US NAVY / Reuters

A crise na Ucrânia gelou a relação entre a Rússia e a NATO. Esta quarta-feira, em Bruxelas, as partes reunem-se para discutir questões de segurança e esboçar uma reaproximação

Margarida Mota

Jornalista

Representantes da Rússia e da NATO retomam, esta quarta-feira, um diálogo que estava paralisado desde 2014. Em Bruxelas, reune-se o Conselho NATO-Rússia — estabelecido em 2002 — para discutir questões de segurança, especialmente as situações na Ucrânia e no Afeganistão.

“Não temos medo do diálogo”, disse Jens Stoltenberg, secretário-geral da NATO, que presidirá aos trabalhos em que participam os 28 embaixadores dos países membros da NATO e o enviado de Moscovo, Alexander Grushko.

Este encontro acontece numa altura em que a relação entre a Aliança Atlântica e a Rússia passa por uma tensão ao nível dos tempos da Guerra Fria, acentuada pela crise na Ucrânia. A NATO acusa a Rússia de apoiar os separatistas do leste e considera a anexação da Crimeia pelos russos — sancionada pelo referendo de 16 de março de 2014 — uma ameaça à estabilidade na Europa.

Confrontada com a expansão da Aliança Atlântica sobre territórios da antiga esfera de influência soviética — países do extinto Pacto de Varsóvia (que aderiram à NATO em 1999 e 2004) e os três países Bálticos (2004) —, a Rússia vê o inimigo de ontem como uma ameaça crescente.

“Hoje, estamos diante de um reforço militar da NATO que é totalmente injustificado”, afirmou Grushko. “Não vejo qualquer possibilidade de uma melhoria qualitativa das nossas relações se a NATO continuar no caminho da dissuasão e de planeamento militar relevante.”

A Rússia aponta também o dedo ao sistema anti-míssil que os EUA estão a desenvolver na Polónia e na Roménia, ex-aliados da União Soviética.

A realização desta reunião é um sucesso em si mesma, dadas as frequentes situações de tensão e provocação que acontecem entre os dois blocos geopolíticos. Na semana passada, por exemplo, caças-bombardeiros Su-24 russos fizeram voos rasantes sobre o contratorpedeiro lança-mísseis norte-americano USS Donald Cook, que participava em exercícios conjuntos com a Polónia em águas neutras do Mar Báltico.

O Pentágono considerou o comportamento dos aviões russos “agressivo”; para o Ministério da Defesa russo, a reação dos norte-americanos foi “exagerada”. O secretário-geral da NATO considerou o comportamento dos russos “pouco profissional e inseguro” — e uma prova da necessidade de diálogo.