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Lula volta a ser ministro?

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SEBASTIAO MOREIRA

Na véspera do feriado do Tiradentes, Supremo discute a nomeação de Lula. E o Senado recebe proposta de eleições antecipadas

Quando milhões de brasileiros se preparam para um fim de semana prolongado, o Supremo Tribunal Federal vai discutir esta tarde se o ex-presidente Lula pode assumir de vez o cargo de ministro da Casa Civil.

Mais de um mês depois do “folhetim” de nomeações e suspensões sucessivas, o coletivo de juízes deverá começar a discutir às 18 horas de Lisboa, a suspensão da posse de Lula decretada a 18 de março pelo juiz do STF, Gilmar Mendes. Na altura, Mendes defendeu que a nomeção de Lula da Silva teria como objetivo obstruir as investigações contra ele no âmbito da operação Lava Jato.

Para a presidente Dilma, a nomeação de Lula contaria como um reforço de peso para um executivo debilitado e que enfrentava já as primeira etapas da “novela” da destituição. E o Planalto sempre recusou a acusação de que nomear Lula serviria para o proteger da Justiça, uma vez que passaria a ser julgado na intância do Supremo, que não admite recurso. Pelo meio, ainda houve a criteriosa divulgação das escutas de conversas entre Dilma e Lula, feita pelo juiz Sérgio Moro – responsável da Lava Jato.

Para muitos analistas, a nomeação penalizou o governo no processo de destituição, pois Lula teve que fazer todo o trabalho de articulação política numa espécie de limbo.

Porém, caso o STF levante a suspensão da nomeação, apesar de tardio Lula não deixa de ser um “trunfo” para Rousseff. Apesar da crise, Lula é o candidato favorito para as presidenciais de 2018. Há duas semanas, numa sondagem da Datafolha o ex-presidente brasileiro venceu três dos quatro cenários possíveis. E empatou um, contra a ex-candidata Marina Silva.

Eleições contra Temer

Na eventualidade do afastamento de Dilma Rousseff a possibilidade de um governo liderado pelo vice-epresidente Michel Temer ganha alguma probabilidade. Mas é talvez o cenário mais indesejado pelos brasileiros, mesmo por aqueles que estão contra Dilma.

A hipótese de eleições antecipadas para resolver a crise tem vindo a ganhar peso nas últimas semanas em vários sectores políticos.

Um grupo de seis senadores de vários partidos conseguiu reunir as 27 assinaturas necessárias para iniciar o processo de uma emenda c constitucional para convocar eleições presidenciais em paralelo com as eleições municipais marcadas para outubro. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi apresentada ontem pelos por Walter Pinheiro (sem partido), Cristovam Buarque (PPS), Lídice da Mata (PSB), , Randolfe Rodrigues (Rede) e Paulo Paim (PT). O projeto teve o apoio de oito dos 11 senadores do PT e pretende ser uma opção alternativa ao processo de destituição. Nenhum senador da oposição, subscreveu a proposta.

Agora, a proposta via seguir a “via sacra” das comissões na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

Para Walter Pinheiro, o descontentamento geral da população e a pressão dos movimentos sociais poderão permitir a viabilidade da proposta.

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