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China suspende caça à corrupção no G20

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Xi Jinping declarou guerra à corrupção na China

Parker Song / REUTERS

Presidente chinês declarou guerra à corrupção, mas o país suspendeu uma equipa internacional encarregue de tornar transparentes as operações financeiras offshore no contexto do G20

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Desde que assumiu a presidência do G20, a China suspendeu uma equipa de investigação anti corrupção internacional que trabalhava no sentido de aumentar a transparência das estruturas financeiras offshore, noticia esta quarta-feira a agência Reuters.

A chamada Força Anti-Corrupção “Business 20” incluía grupos empresariais e da sociedade civil e tinha, entre várias tarefas, o objetivo de fomentar políticas dos G20 capazes de aumentar a transparência das operações daquelas estruturas financeiras. No entanto, desde final de janeiro que as empresas chinesas se recusaram a participar no processo. O B20, o braço empresarial do G20, e as suas várias operações em curso são, por convenção, lideradas pela nação que preside ao grupo.

A China é um dos países que está a ser pressionado para partilhar dados sobre as suas empresas desde que tiveram início as revelações a partir dos Ficheiros do Panamá. O Concelho para a Promoção do Comércio Internacional do Estado chinês lidera este ano o B20 e não forneceu nenhuma explicação sobre a suspensão da equipa de investigação anti-corrupção nem respondeu a nenhuma das tentativas de contacto.
A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês citada pela Reuters não respondeu diretamente quando inquirida sobre as razões da suspensão. Porém, declarou que a China dava muita importância à cooperação anti-corrupção do G20 e que reunira a esse propósito.

“A China vai realizar um fórum anti-corrupção durante a cimeira empresarial do G20 com o objetivo de promover e criar um ambiente empresarial são e limpo”, disse Hua Chunying sem mais explicações. O fórum está agendado para 27 de abril.

Esta atitude surge no momento em que a China tem aumentado a cooperação internacional para apanhar indivíduos corruptos que tenham fugido para o estrangeiro desde que, há mais de três anos, o Presidente Xi Jinping declarou guerra à corrupção enraízada na administração do país.
Os países ocidentais têm resistido a colaborar no envio de suspeitos de crime para a China, onde as organizações de defesa dos direitos humanos denunciam métodos pouco transparentes de tratamento dos suspeitos.