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“Temos um governo em fim de governo”, congratula-se Eduardo Cunha

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Eduardo Cunha (ao centro), presidente da câmara dos deputados brasileira, é acusado de orquestrar golpe contra Dilma

Igo Estrela

Reagindo à primeira vitória formal dos que defendem a destituição de Dilma, presidente da câmara dos deputados, do PMDB, promete entregar já esta segunda-feira ao líder do Senado o veredicto contra a Presidente do Brasil para acelerar segunda fase da votação

Com 23 votos a mais do que o mínimo necessário para se aprovar o processo de destituição de Dilma Rousseff na câmara baixa do Congresso, o líder do movimento contra a Presidente do Brasil cantou vitória este domingo, ao declarar numa conferência de imprensa que vai entregar já esta segunda-feira o veredicto da câmara dos deputados ao líder do Senado para que o processo possa ser acelerado.

"Quanto mais tempo se levar para decidir no Senado, mais a situação vai piorar", disse o presidente da câmara Eduardo Cunha. "O governo [nem] sequer tem ministérios – os ministros foram demitidos para votar e outros saíram porque não queriam mais fazer parte da sua base política. O Brasil vai parar a partir de amanhã [hoje, segunda-feira]. É muito importante que esse processo tenha um desfecho com maior celeridade."

Para o líder da câmara baixa pertencente do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), o Brasil tem "um governo em fim de governo" que acusou de "tentar comprar votos" para "barrar o impeachment". Cunha encontra-se esta segunda-feira com Renan Calheiros, presidente do Senado, para que a segunda fase da votação para destituir Dilma seja convocada.

Sondado sobre a possibilidade de vir a assumir um cargo na eventual presidência de Michel Temer, seu parceiro do PMDB e atual vice-presidente, Cunha garantiu que irá continuar ao comando da câmara baixa do Congresso, dizendo ainda que vai continuar a participar na discussão de uma agenda para o Brasil sair da crise "independentemente do governo".

Quanto às acusações de falta de legitimidade para conduzir o processo contra Dilma, pelo facto de ser réu no Supremo Tribunal Federal por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro no caso LavaJato, Cunha limitou-se a dizer que está a cumprir o seu papel. "Acharam que iam criar algum constrangimento que impedisse que a votação continuasse ou que eu fosse comprar a briga que eles queriam que eu comprasse", disse após deputados do PT terem elevado cartazes durante a votação onde se lia "Fora Cunha!".